Editora dos EUA lança coletânea de mais de 600 páginas sobre Paulo Freire e sua influência

O professor doutor da UCLA/EUA Carlos Alberto Torres, argentino naturalizado americano, lançará em julho, nos Estados Unidos, a mais completa coletânea, com perfil de enciclopédia, mostrando a importância de Paulo Freire em todos os continentes. Reportagem da Revista Nordeste

Editora dos EUA lança coletânea de mais de 600 páginas sobre Paulo Freire e sua influência
Editora dos EUA lança coletânea de mais de 600 páginas sobre Paulo Freire e sua influência (Foto: Reprodução )

Por Walter Santos, da Revista Nordeste - Novidade no mundo acadêmico internacional. O professor Doutor da UCLA/EUA, argentino naturalizado americano Carlos Alberto Torres, confirmou em entrevista exclusiva à Revista NORDESTE, em sua última edição do mês, que lançará nos Estados Unidos, em julho, a mais completa coletânea com mais de 600 páginas de especialistas do mundo mostrando a importância de Paulo Freire em todos os continentes. Editora Wiley. Valor do livro U$ 210.

O professor e um dos mais renomados especialistas sobre a biografia de Paulo Freire explica que "o livro tem mais de 600 páginas e não é um livro típico, é um handbook. Um handbook é um modelo de livro mais parecido a uma enciclopédia que simplesmente um livro de um só autor, observou ele para completar:

– Eu sou o editor e há 31 capítulos, e mais de 40 autores e co-autores, assim como uma introdução muito ampla de minha parte.

UMA CONTRIBUIÇÃO INTERNACIONAL – Carlos Alberto Torres lembrou de forma especial "que não se trata de simplesmente um livro. É um material de consulta que espero marque a discussão sobre o que chamamos scholarship de Paulo Freire ou sobre Paulo Freire na próxima década. Minha perspectiva de por que fiz esse trabalho, foi um convite recebido. Como sou um reconhecido especialista sobre o tema Paulo Freire, recebi esse convite quando se aproximavam os 50 anos de "Pedagogia do Oprimido" e se aproxima também, em dois anos mais, o centenário de Paulo Freire".

A IMPORTÂNCIA DE PAULO FREIRE – O especialista da Universidade da Califórnia também destacou: "Tudo isso são celebrações razoáveis dado que " Pedagogia do Oprimido" tem sido um dos livros mais importantes em educação no mundo inteiro, na segunda metade do século XX e, por outro lado, tem sido Freire um autor indispensável para conhecer as opções de transformação e liberação dentro da educação ou, dito de outra maneira, como a educação pode produzir a emancipação do ser humano e especialmente a emancipação daqueles que têm poucos recursos, que não têm voz, que estão subsumidos em uma cultura de silêncio.

MAIOR EDUCADOR DA AMÉRICA LATINA.Ele acrescenta:

– Este é um livro que tomou três anos de organização e um ano de produção. O livro será publicado em julho de 2019. Por que o educador brasileiro? Porque ,sem dúvida alguma, não há outro educador na América Latina com a reputação internacional e a fama mundial que tem Paulo Freire.
O educador renomado critica duramente o Governo Bolsonaro de proibir a obra de Paulo Freire na educação brasileira.

ALÉM DA IDEOLOGIA – O professor Carlos Alberto Torres explica que " segmento à Direita acusa Freire de um sem número de coisas que sabemos que não têm nada a ver. A qualidade da educação brasileira não tem muito a ver com que Freire seja brasileiro ou não. A qualidade da educação brasileira tem que ver com distintas razões, afirmou ele para explicar:

-Primeiro, com a falta de uma orientação estatal importante de como se deveria educar. Segundo, a diversidade e variedade existentes no Brasil, que é um enorme país – uma espécie de pequeno continente – onde há lógicas de atuação no interior de cada um dos estados brasileiros que terminam por ser completamente paradoxais ou incongruentes. Em terceiro lugar, creio que há uma questão de classe. As pessoas que podem pagar uma educação privada de qualidade podem ter acesso a professores e professoras que tenham sido bem educados e que tenham uma capacidade de apresentação de seus trabalhos, obtiveram mestrados e ocasionalmente doutorados. Enquanto isso os pobres vão à escola pública que está mal financiada, uma escola pública que está mal administrada, uma escola pública que não tem recursos e onde os professores tampouco têm as mesmas capacidades intelectuais que deveriam ter, não por eles mesmos, senão porque não foram educados ou bem formados, concluiu.

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