Historiador disseca o fascismo europeu para explicar Bolsonaro

O historiador Fernando Horta compilou e re-organizou relatos historiográficos e teóricos sobre os sentidos do fascismo europeu para responder a uma demanda cada vez mais urgente em solo brasileiro: afinal, o que é o fascismo? Horta propôs um curso online para decifrar e contextualizar o fenômeno

Fernando Horta e fascismo
Fernando Horta e fascismo (Foto: Reprodução)
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247 - Professor titular de Relações internacionais da Universidade Federal de Brasília, Fernando Horta transita entre o ensaio crítico e a pesquisa aplicada, colaborando com vários sites da cena progressista ao mesmo tempo em que desova sua produção acadêmica em revistas especializadas. O historiador percebeu uma certa lacuna conceitual para as definições de fascismo no Brasil em tempos de Bolsonaro e resolveu oferecer um curso online que recobrisse esse espectro considerável de significações acerca da vertente filosófico-política que reuniu em seu ideário desde o totalitarismo à eugenia. 

Horta afirma que há distorções na compreensão do fascismo no Brasil e que se se quiser combatê-lo a contento é necessário entendê-lo em toda a sua complexidade e singularidade. Ele diz, por exemplo, que o fascismo é de origem popular e não elitista, como certas leituras feitas no Brasil à luz do apoio político que sustenta Bolsonaro. 

Para Horta, Bolsonaro se sustenta na presidência não apenas porque tem o apoio das elites financeiras, interessadas no programa neoliberal de Paulo Guedes, mas porque seu discurso autoritário e revestido de ódio reverbera fortemente em camadas populares tomadas por sentimentos conservadores.  

Acesse aqui o curso de Fernando Horta

Essa base popular é estrutural e estruturante para que o fascismo prospere, atiçando uma polarização política e social que esmaga iniciativas conciliatórias, como as que vem sendo costuradas no Brasil. 

A grade teórica do primeiro módulo do curso oferecido pelo professor - que será iniciado no dia 30 de junho de 2020 - revela a amplitude histórica e o rigor metodológico subscritos nos estudos críticos que serão ali apresentados: 

Fascismo conceito e historiografia

O fascismo e o século XIX

Fascismo, liderança e massas – dialética, resistências estruturais e sistêmicas.

Fascismo, autoritarismo e totalitarismo – problemas conceituais ou práticos?

Fascismo, democracia e liberdade de expressão

Fascismo e justiça, acordos de exercício de poder ou rivalidades institucionais? A questão dos direitos (humanos)

Fascismo e luta de classes, a explicação econômica

Fascismo, “mentalidade das massas” e condicionantes individuais – a explicação psicológica

Fascismo e populismo, “a revolução das expectativas” e as explicações sociológicas

Fascismo e nacionalismo, o problema dos modelos do século XX e as diferenças para o século XXI

Bolsonaro e a formação do mito fascista

Assista a entrevista com Fernando Horta: 

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