"Imagine o que é, numa democracia, ter tanques de guerra na sua porta"

Jornalista e comunicadora comunitária há 20 anos no Complexo da Maré, Gizele Martins lança neste sábado 7 o livro “Militarização e censura: a luta pela liberdade de expressão na Favela da Maré”. Assista sua entrevista à TV 247

Exército no Complexo da Maré
Exército no Complexo da Maré (Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil)
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247 - As violências que vieram junto com a ditadura militar de 1964 - torturas, censura à fala, proibições, tanques - sempre existiu e nunca deixou de existir nas favelas brasileiras. Parte dessa experiência é contada pela jornalista e comunicadora comunitária há ao menos 20 anos no Complexo da Maré, no Rio de Janeiro, Gizele Martins, no livro “Militarização e censura: a luta pela liberdade de expressão na Favela da Maré”, lançado neste sábado 7 no Museu da Maré.

Ela convive com soldados e tanques no morro desde quando o Brasil passou a preparar a Copa do Mundo de 2014. "Uma semana antes do exército invadir a Maré, por causa da realização da Copa do mundo em 2014, criamos canais nas redes sociais para denunciar violações. Essa tamanha violação que já era ter o Exército dentro da favela, que é próxima do aeroporto internacional e também está próximo das vias expressas da cidade, que é a Linha Vermelha, Amarela e Avenida Brasil. Imagina o que é, numa democracia, ter tanques de guerra na porta. A gente circulava as ruas da Maré, nesse primeiro dia de invasão nas ruas, soldados invadiram casas, revistando as pessoas de forma aleatória, tiroteios constantes, e assim foi durante um ano e cinco meses", relatou a escritora, em entrevista à TV 247.

"Não foi muito fácil escrever esse livro", desabafa Gizele. "Porque eu também tive que limitar o que eu podia falar e o que eu não podia falar. Então o processo de escrita também foi de autocensura da minha própria escrita. Eu sou jornalista, comunicadora comunitária, e me disseram que eu tinha liberdade de expressão, que eu tenho direito à vida, direito à democracia, direito à segurança pública e que a educação é um direito humano. Esse livro veio para discutir que comunicação é essa, que direito à comunicação é esse que a gente deveria ter e nunca teve? Especificar que essa ditadura que ocorreu no Brasil tempos atrás, a gente passa por isso na favela. Os processos de GLO, de tortura, prisão, esquartejamento, fechamento de rádios comunitárias, de invasão do Exército às sedes de mídias comunitárias, isso ocorreu na ditadura militar e isso ocorre na minha favela", contou.

Serviço:

Data: 7 de dezembro, sábado
Local: Museu da Maré, Av. Guilherme Maxwel, 26 - Maré, Rio de Janeiro
Horário: 14h30
Valor da publicação: R$ 30,00
Vendas: http://livrariagramsci.com.br ou pelo e-mail: [email protected]

O lançamento do livro acontece junto a atividades culturais gratuitas e idealizadas por mulheres, que comemoram um ano do projeto Coletivona.

Inscreva-se na TV 247 e assista à entrevista:

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