Jorge Furtado: os fascistas amam a ignorância

“Os fascistas amam a ignorância e o governo Bolsonaro tem muita inclinação ao fascismo”, constata o cineasta Jorge Furtado; seu filme "Rasga Coração", que está nos cinemas, retrata com humor e delicadeza o cenário político atual; em entrevista à TV 247, ele fala ainda sobre a esquerda, o diálogo com os jovens e se diz otimista com o futuro; "Vai ter muita resistência"; assista

Jorge Furtado: os fascistas amam a ignorância
Jorge Furtado: os fascistas amam a ignorância

247 - “Os fascistas amam a ignorância e o governo Bolsonaro tem muita inclinação ao fascismo”. Esta é a constatação do cineasta Jorge Furtado, diretor de "Ilha das Flores" (1987) e "Saneamento básico: O filme" (2007). Em entrevista à TV 247, ele fala sobre seu mais novo filme, "Rasga Coração", uma releitura da peça homônima de Oduvaldo Vianna Filho (1936-1974), o "Vianinha".

Leia a análise de Paulo Moreira Leite sobre o filme.

A peça fisgou Furtado durante uma sessão em São Paulo, onde assistiu pela primeira vez, em 1979. O texto é mantido em boa parte, assim como todos os personagens, com algumas adaptações, para retratar o Brasil atual e o conflito de gerações e de motivações para a militância, vivenciados por Manguari (Marco Ricca) e seu filho, Luca, interpretado por Chay Suede.

Há, no entanto, algumas adaptações, como a inclusão de personagens negros e o debate sobre o racismo - a discussão sobre a questão social é uma marca no trabalho de Jorge Furtado, que assina atualmente, na TV, o roteiro das séries "Mister Brau" e "Sob Pressão".

Furtado afirma que o Brasil enfrenta uma guerra civil, "onde 60 mil pessoas morrem por ano", "e que a esquerda não se aproxima do debate da segurança pública". “Bolsonaro irá intensificar a violência, não tenho dúvida, mas ele tocou nesse ponto com o povo”, avalia.

Ele diz que outra característica atual do Brasil é fenômeno da proliferação das igrejas neopetencostais. “Essa população se vê totalmente desassistida pelo governo e encontram nesse espaço um local pacífico, amoroso, onde há união”, observa.

O cineasta ressalta que o governo Bolsonaro tem uma inclinação ao fascismo. “Os fascistas amam a ignorância. Basta pensar que existem pessoas defensoras da terra plana. Vamos ter que ter cuidado com essa falta de raciocínio”, afirma. Mas destaca ser "um otimista" e lembra que "está havendo muita resistência".  

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