Laurentino Gomes dá aula de história sobre traficante de escravos inglês que teve estátua derrubada

"Edward Colston foi acionista da Royal Adventures into Africa (RAC), que transportou 80 mil africanos para a América", contra o escritor

(Foto: Divulgação/Band)
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Por Laurentino Gomes, em seu twitter – Uma injustiça histórica de três séculos cobrou seu preço neste domingo nas ruas de Bristol, antigo porto do tráfico negreiro da Inglaterra. Manifestantes derrubaram a estátua de um mercador de africanos escravizados, Edward Colston, tido (pelos brancos) como benfeitor da cidade.

Derrubada a estátua, um dos manifestantes colocou o joelho sobre o pescoço do mercado da escravos, reproduzindo assim a ação do policial Derek Chauvin, responsável pela morte, no dia 25 de maio, de George Floyd, um homem negro, na cidade americana de Minneapolis.

Edward Colston foi acionista da Royal Adventures into Africa (RAC). Criada em 1660 com o monopólio do tráfico negreiro na Inglaterra, a RAC transportou 80 mil africanos para a América, mas faliu devido à concorrência de portugueses e brasileiros, mais eficientes no negócio.

Entre os acionistas da RAC estava a rainha Catarina de Bragança, filha de dom João IV de Portugal e casada com o rei Carlos II da Inglaterra. Seu cunhado, o Duque de York, conquistou a cidade de Nova York dos holandeses e batizou o atual bairro do Queens em homenagem a Catarina.

Uma espécie de maldição acompanha as estátuas dos antigos acionistas da RAC. Anos atrás, por pressão do movimento negro, Nova York desistiu de erguer uma estátua em homenagem a Catarina de Bragança no bairro do Queens. Foi o preço tardio que ela pagou pelo tráfico de escravos.

A história da RAC e o “triste” destino da estátua de Catarina de Bragança no bairro do Queens de Nova York estão no primeiro volume da trilogia “Escravidão”, que lancei ano passado na Bienal o Livro do Rio de Janeiro.

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