Linguista faz sátira com poema de Rimbaud e trolla a Globo

O linguista Gustavo Conde, que também é colunista do 247, adaptou o poema "Vénus Anadyomène" (1870) do poeta francês Arthur Rimbaud para satirizar o Grupo Globo; Conde se utilizou de uma tradução de Augusto de Campos (1993) e fez uma espécie de paródia, introduzindo alguns 'valores' associados à Globo, como golpe militar, fraude contratual e a conhecida estética kitsch de Hans Donner; o linguista afirma ter respeitado a métrica e a estrutura original do poema, bem como sua dicção simbolista e carregada de solenidade. 

Linguista faz sátira com poema de Rimbaud e trolla a Globo
Linguista faz sátira com poema de Rimbaud e trolla a Globo

247 - O linguista Gustavo Conde, que também é colunista do 247, adaptou o poema "Vénus Anadyomène" (1870) do poeta francês Arthur Rimbaud para satirizar o Grupo Globo. Conde se utilizou de uma tradução de Augusto de Campos (1993) e fez uma espécie de paródia, introduzindo alguns 'valores' associados à Globo, como golpe militar, fraude contratual e a conhecida estética kitsch de Hans Donner. O linguista afirma ter respeitado a métrica e a estrutura original do poema, bem como sua dicção simbolista e carregada de solenidade. 

Leia abaixo o poema satírico adaptado de autoria de Gustavo Conde: 

Vênus Odiomene

Do verde oliva em meio ao golpe infame
Mascara-se uma fraude e vai ao forno,
De uma velha latrina emerge, em seus reclames
Carnavais e futebóis decorrentes de suborno;

Do classismo torpe em teledramaturgias
Contaminam-se todas as famílias tolas,
Fraudulentas declarações à luz do dia
Parem toscos imbecis em telas doulas;

O padrão é deprimente, sólido, lustroso e prata
Transpira qualidade mas o núcleo é de lata
Espasmo kitsch de designer alemão...

"Vênus Platinada", saliva o sorrateiro latim
- Que da subserviência fundou sua razão,
Horrorosamente putrefata, pisca o medo em sublime plim.

Aqui, a versão original, de Arthur Rimbaud: 

Vénus Anadyomène

Comme d'un cercueil vert en ferblanc, une tête
De femme à cheveux bruns fortement pommadés
D'une vieille baignoire émerge, lente et bête,
Avec des déficits assez mal ravaudés ;

Puis le col gras et gris, les larges omoplates
Qui saillent ; le dos court qui rentre et qui ressort ;
Puis les rondeurs des reins semblent prendre l'essor ;
La graisse sous la peau paraît en feuilles plates ;

L'échine est un peu rouge, et le tout sent un goût
Horrible étrangement ; on remarque surtout
Des singularités qu'il faut voir à la loupe...

Les reins portent deux mots gravés : Clara Venus ;
– Et tout ce corps remue et tend sa large croupe
Belle hideusement d'un ulcère à l'anus.

E a tradução de Augusto de Campos:  

Vênus Anadiômene 

Como de um verde túmulo em latão o vulto 
De uma mulher, cabelos brunos empastados, 
De uma velha banheira emerge, lento e estulto, 
Com delícias bastante mal dissimulados;

Do colo graxo e gris saltam as omoplatas 
Amplas, o dorso curto que entra e sai no ar; 
Sob a pele a gordura cai em folhas chatas, 
E o redondo dos rins como a querer voar...

O dorso é avermelhado e em tudo há um sabor 
Estranhamente horrível; notam-se, a rigor, 
Particularidades que demandam lupa...

Nos rins dois nomes só gravados: CLARA VENUS; 
- E todo o corpo move e estende a ampla garupa 
Bela horrorosamente, uma úlcera no ânus.


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