'Lula nas mãos do povo', Ricardo Stuckert faz ensaio visual emocionante com as mãos do povo brasileiro sobre Lula

Fotógrafo oficial do ex-presidente Lula há 17 anos, Ricardo Stuckert é conhecido por sua sensibilidade estética aliada a técnicas apuradas de captação da luz. Seu ensaio visual sobre as mãos do povo brasileiro e Lula é um registro marcante da relação profunda que o ex-presidente construiu junto à população brasileira

247 - Fotógrafo oficial do ex-presidente Lula há 17 anos, Ricardo Stuckert é conhecido por sua sensibilidade estética aliada a técnicas apuradas de captação da luz. Seu ensaio visual sobre as mãos do povo brasileiro e Lula é um registro marcante da relação profunda que o ex-presidente construiu junto à população brasileira. 

O blog Nocaute, de Fernando Morais, publicou o conjunto agregando um poema de Gilberto Freyre. Morais diz: "as mãos de Lula, que seguram a mão do povo que segura as mãos de Lula… Ricardo Stuckert congelou o perpetuum mobile cuja energia renasce indefinidamente, gerada por seu próprio movimento."

E prossegue: "este ensaio comovente faz lembrar um trecho de “O outro Brasil que vem aí”, de Gilberto Freyre. Escrito em 1926, o poema é premonitório do novo Brasil que surgiria da Revolução de 30. Se é verdade que a arte vê antes, que esteja nascendo um outro Brasil dessas mãos que seguram as mãos de Lula. 

“(…) Qualquer brasileiro poderá governar esse Brasil

lenhador

lavrador

pescador

vaqueiro

marinheiro

funileiro

carpinteiro

contanto que seja digno do governo do Brasil

que tenha olhos para ver pelo Brasil,

ouvidos para ouvir pelo Brasil

coragem de morrer pelo Brasil

ânimo de viver pelo Brasil

mãos para agir pelo Brasil

mãos de escultor que saibam lidar com o barro forte e novo dos Brasis

mãos de engenheiro que lidem com ingresias e tratores europeus e norte-americanos a serviço do Brasil

mãos sem anéis (que os anéis não deixam o homem criar nem trabalhar).

mãos livres

mãos criadoras

mãos fraternais de todas as cores

mãos desiguais que trabalham por um Brasil sem Azeredos,

sem Irineus

sem Maurícios de Lacerda.

Sem mãos de jogadores

nem de especuladores nem de mistificadores.

Mãos todas de trabalhadores,

pretas, brancas, pardas, roxas, morenas,

de artistas

de escritores

de operários

de lavradores

de pastores

de mães criando filhos

de pais ensinando meninos

de padres benzendo afilhados

de mestres guiando aprendizes

de irmãos ajudando irmãos mais moços

de lavadeiras lavando

de pedreiros edificando

de doutores curando

de cozinheiras cozinhando

de vaqueiros tirando leite de vacas chamadas comadres dos homens.

Mãos brasileiras

brancas, morenas, pretas, pardas, roxas

tropicais

sindicais

fraternais.

Eu ouço as vozes

eu vejo as cores

eu sinto os passos

desse Brasil que vem aí.”

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