Macartismo na Ancine? Novo chefe já quis perseguir cineastas independentes

O novo indicado pelo Ministério da Cultura (MinC) para ocupar um dos quatro postos da diretoria da Agência Nacional do Cinema (Ancine) sugeriu, numa troca de e-mails há pouco mais de dois anos, um movimento para “enquadrar”, “isolar” e “tirar a base de apoio” de um grupo de cineastas independentes do Rio; na época, o jornalista Sérgio Sá Leitão acumulava as funções de secretário municipal de Cultura e de diretor-presidente da RioFilme (agência de promoção audiovisual do Rio) e vinha sofrendo críticas de parcela de diretores e produtores cariocas. “O cinema brasileiro produziu seus black blocs”, escreveu ele

Sérgio Sá Leitão, rio filme
Sérgio Sá Leitão, rio filme (Foto: Giuliana Miranda)

247 - O novo indicado pelo Ministério da Cultura (MinC) para ocupar um dos quatro postos da diretoria da Agência Nacional do Cinema (Ancine) sugeriu, numa troca de e-mails há pouco mais de dois anos, um movimento para “enquadrar”, “isolar” e “tirar a base de apoio” de um grupo de cineastas independentes do Rio. Na época, o jornalista Sérgio Sá Leitão acumulava as funções de secretário municipal de Cultura e de diretor-presidente da RioFilme (agência de promoção audiovisual do Rio) e vinha sofrendo críticas de parcela de diretores e produtores cariocas. “O cinema brasileiro produziu seus black blocs”, escreveu ele.

As informações são de reportagem de André Miranda em O Globo.

"A mensagem de Sá Leitão foi enviada em 7 de outubro de 2014 para cerca de 15 pessoas, muitas delas profissionais que regularmente buscam recursos nos editais na época gerenciados por ele. Entre os destinatários estavam o distribuidor Bruno Wainer, o cineasta Cacá Diegues, as produtoras Mariza Leão, Iafa Britz e Paula Barreto, as diretoras-executivas do Festival do Rio, Ilda Santiago e Walkíria Barbosa, a atual presidente do Sindicato da Indústria Audiovisual do Rio (Sicav), Silvia Rabello, e o diretor-presidente da Ancine, Manoel Rangel.

A motivação foi um texto distribuído à imprensa com as revindicações do Rio: Mais Cinema, Menos Cenário, um movimento lançado no Festival do Rio de 2014 para pedir mais transparência nos gastos e maior diversidade nos projetos contemplados nos editais de prefeitura e estado. Leitão começou sua mensagem citando um e-mail que teria sido enviado por Frederico Cardoso, membro da Associação Brasileira de Documentaristas e Curta-Metragistas, com críticas à sua gestão. Sérgio escreveu: “Para além de denúncias vazias e argumentos tolos, o que mais chama a atenção é a postura belicosa e vingativa”.

— Pelo que está nessa mensagem, eu vejo um gestor público fazendo política para um lado só — afirma Cardoso. — Me parece que ele foi buscar aquele grupo de pessoas no e-mail para tentar se defender. Acho que ele ficou com um certo medo, porque o movimento vinha crescendo, com gente mais graúda apoiando.

A mensagem de Sá Leitão seguiu citando uma reunião que teria havido com o grupo copiado no e-mail. 'É preciso enquadrar essa turma. O setor precisa se manifestar em peso contra isso. (...) Temos de mobilizar os nosso ativos. Temos de isolar os radicais. Tirar sua base de apoio', escreveu."

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