Mano Brown: "prisão de Lula é racial, cultural e social, estou lá com ele"

"Colocaram um algodão na boca de uma massa, do povo que foi beneficiado por ele. Uma minoria se sentiu lesada, enganada, e resolveu tirar o poder de voz de uma massa que sempre foi excluída, desde a escravidão. Um povo sem direito a voz, excomungado, para quem o Lula deu voz", afirmou o rapper Mano Brown

247 - Em entrevista ao site Esquina Musical, o rapper Mano Brown afirma que a prisão de Lula "é racial, cultural e social, estou lá com ele".

Para Mano Brown, o ataque midiático contra o ex-presidente não é uma perseguição pessoal, "mas ao que ele representa".

"Colocaram um algodão na boca de uma massa, do povo que foi beneficiado por ele. Uma minoria se sentiu lesada, enganada, e resolveu tirar o poder de voz de uma massa que sempre foi excluída, desde a escravidão. Um povo sem direito a voz, excomungado, para quem o Lula deu voz", afirmou.

Ele afirma que o golpe de 2016 foi um jogo de cartas marcadas que é o resutado '"embrião de tudo o que estamos vivendo hoje". 

"A gente já sabia que o desfecho seria a prisão do Lula. Estava preparado, sabia que o plano era esse, para ele não concorrer em 2018. É uma decepção ter um país de cartas marcadas. A direita que sempre governou o Brasil para ricos e poderosos que falam várias línguas, comem bem, estudam nas melhoras escolas e morrem velhos, cansou de ficar só olhando. Eles são uma minoria organizada", enfatizou.

Mano Brown disse que o povo foi preso com o Lula. "Eu estou lá preso com ele, o Lula é a ponta de um iceberg que tem mais de cem milhões de pessoas, que vivem abaixo da linha da pobreza, sem humanidade, dignidade e o respeito que o ser humano merece", enfatizou.

Para o rapper, a classe dominante se sentiu lesada e "não quer direitos iguais, eles não querem é ter os privilégios cortados". 

"Quem apoiou o impeachment foi a Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo). A Fiesp está no lugar onde existiam as maiores fazendas de café do país, onde a escravidão funcionou, ela continua sendo uma espécie de grande engenho de café. Na (avenida) Paulista ficavam os casarões dos grandes barões do café de São Paulo, e a Fiesp permanece lá. Foi esse tipo de gente que possibilitou o impeachment da Dilma e a prisão do Lula, às custas do silêncio de um povo oprimido, enganado e embriagado por mentiras", reforçou.

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