Morre de câncer o afro-brasilianista Anani Dzidzienyo, mentor de pesquisadores sobre o Brasil

Morreu vítima de um câncer o historiador ganês Anani Dzidzienyo, mentor de gerações de estudiosos das relações raciais no País

Anani Dzidzienyo
Anani Dzidzienyo (Foto: Reprodução (Youtube))
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247 - Morreu na terça-feira (27) vítima de um câncer o historiador e cientista político ganês Anani Dzidzienyo, um dos primeiros pesquisadores africanos especializados no Brasil e mentor de gerações de estudiosos das relações raciais no País. Dzidzienyo tinha uma abordagem multidisciplinar da diáspora africana e ensinava no Departamento de Estudos Luso-Brasileiros da Universidade Brown, nos Estados Unidos. 

"Dzidzienyo foi um desbravador gigante de nossa área de estudos", afirmou Anya, nigeriano-americana que estuda o Brasil há 25 anos, de acordo com o jornal Folha de S.Paulo

"A sua produção acadêmica, que também inclui o trabalho de seus alunos, permanece como monumento a esse legado intelectual. A maior contribuição na minha educação foi ensinar que os estudos afrobrasileiros tinham de ser abordados com a perspectiva do povo negro brasileiro como agente principal da cultura e da política do país", acrescentou. 

Dzidzienyo nasceu em 1941 na cidade industrial e portuária de Sekondi-Takoradi, em Gana. Acompanhou a participação dos pais na luta pela independência de Gana, concluída em 1957, e estudou no internato Mfantsipim, onde um de seus amigos era Kofi Annan, futuro secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU) e Nobel da Paz.

Na época, o jovem ganês despertou curiosidades com a vitória da seleção brasileira na Copa do Mundo de 1958. "Foi um momento de definição em minha carreira e sobre o que penso dela. Ver tantos negros no time brasileiro estendeu meus conhecimentos sobre a diáspora africana", escreveu, em artigo, para a Folha publicado em 2006.

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