Mostra de Cinema de Tiradentes é aberta com apelo por apoio à cultura

No discurso de abertura, a coordenadora geral da Mostra, Raquel Hallak, reiterou a necessidade de “lideranças políticas e empresariais reconhecerem a política cultural como parte de um processo civilizatório, capaz de gerar o desenvolvimento social, humano e econômico”

Mostra de Cinema de Tiradentes
Mostra de Cinema de Tiradentes (Foto: Leo Lara/Universo Produção)
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Por Andrea Trus, especial para o 247 - No último dia 24 de janeiro, teve início a 23ª edição da Mostra de Cinema de Tiradentes, em Minas Gerais. Serão nove dias de evento com programação gratuita ao público, abrindo o calendário audiovisual brasileiro. Neste ano, a Mostra tem como temática “A imaginação como potência”, e pela primeira vez, dois  homenageados - os atores Antônio e Camila Pitanga.

Durante a abertura, a coordenadora geral, Raquel Hallak, reiterou a necessidade de “lideranças políticas e empresariais que reconheçam a política cultural como parte de um processo civilizatório, capaz de gerar o desenvolvimento social, humano e econômico”, afirmou que a cultura, o cinema e a Mostra de Tiradentes são feitos “por todos que acreditam na possibilidade da imaginação e construção de outros mundos possíveis e por 'Pitangas' que lutam por uma sociedade plural por uma realidade que nos dá a dimensão coletiva humana e legitima nossa origem”.

Sobretudo, reiterou o papel econômico da Mostra: “mais de 250 empresas mineiras contratadas, mais de 2500 empregos diretos e indiretos gerados, mais de R$10 milhões em recursos injetados na economia local, mais de 35 mil pessoas beneficiadas, percepção compartilhada pelo Secretário Geral da Sociedade Corpo de Bombeiros voluntários de Tiradentes, Jonathan Geraldo da Silva, que considera os eventos culturais que ocorrem na cidade histórica de Tiradentes no decorrer do ano, essenciais, por isso, há um acompanhamento diário, por parte do Corpo de Bombeiros, por se tratar de uma cidade histórica”.

A deputada federal Benedita da Silva estava presente na abertura e foi convidada a entregar os prêmios aos atores Antônio e Camila Pitanga, que, extremamente emocionados, contaram sobre a importância da arte em suas vidas, falaram sobre resistência, cinema, teatro, televisão, o papel dos negros na cultura brasileira, o papel transformador da cultura e sobre o atual cenário obscuro que o país se encontra.

Na abertura, foi exibido, em pré-estreia mundial, o longa-metragem “Os Escravos de Jó”, dirigido pelo cearense Rosemberg Cariry, com as participações de Antônio Pitanga, Silvia Buarque, Rocco Pitanga, entre outros atores, filmado na cidade histórica de Ouro Preto. Ele conta a história de Samuel e Yasmina, jovens apaixonados que precisam romper preconceitos em meio às tragédias do passado e do presente. 

Rosemberg Cariry conversou com o Brasil 247 sobre a importância da Mostra, que segundo ele, é uma Mostra da diversidade cultural brasileira, o encontro de gerações que dialogam, constroem novas parcerias e um espaço de liberdade. Cariry disse que esse momento deve ser de união, cooperação e a consciência límpida, plena do que está acontecendo no país. “É um momento de grande obscuridade, não pode ser possível que esse país com tamanha grandeza e beleza que gerou artistas de dimensão e reconhecimento internacional, chegue ao fundo do poço com mentalidade violenta, nos discursos e em suas práticas, o destino do Brasil, é o destino de ser uma grande nação, pela sua potencialidade cultural/ espiritual, de uma nação que nasce do encontro de todos os povos”.

A Mostra de Cinema de Tiradentes vai até o dia 1 de fevereiro na cidade histórica de Tiradentes. O evento exibirá 113 filmes de 17 estados (31 longas, 1 média e 81 curtas-metragens), 53 sessões, 39 mesas de debates, diálogos audiovisuais e a série Encontro com os Filmes, performances artísticas e musicais, oficinas e lançamentos de livros. Confira o site da Mostra: http://mostratiradentes.com.br/

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