Nevermind, vinte anos em 1º lugar

Era 1991, ano de lançamentos de discos emblemáticos no cenário pop inglês, mas do outro lado do Atlântico, surge um álbum que redefiniria a música dita alternativa no mundo

Era 1991, ano de lançamentos de discos emblemáticos no cenário pop inglês, como Screamadelica do Primal Scream, Loveless do My bloody Valentine e Bandwagonesque do Teenage Fanclub. Mas do outro lado do Atlântico, mais precisamente em Seattle, na costa oeste dos EUA, surge um lançamento que redefiniria a música dita alternativa no mundo. Nevermind, do Nirvana, foi lançado em setembro daquele ano pelo selo DGC, uma espécie de segunda divisão do selo Geffen, com tiragem inicial de 50.000 cópias, aposta da gravadora na época.

O contexto político-social dos Estados Unidos no início da década de 90 era confuso, tenso. Bush (pai) invadiu o Kuwait para libertá-lo de Saddam, os EUA vinham da era Reagan, dos Yuppies, do consumismo desenfreado. Mas a realidade era outra: desemprego crescente, principalmente entre os mais jovens, recessão em alta e início de conflitos raciais, além do diilaceramento de famílias com o aumento recorde de divórcios.

Tudo que Kurt Cobain viveu e presenciou na sua infância e adolescência. O disco abre com Smells Like Teen Spirit, o hit que apresentou a música alternativa às massas, principalmente através da MTV. Mas há ecos de Black Sabbath em In Bloom, Beatles em Drain You e On a Plain, Sonic Youth em Breed, Black Flag em Territorial Pissings, e as esquisitices dos Pixies em Lithium.

Em comemoração aos 20 anos do disco, a Geffen resolveu lançar o CD duplo com a edição de Nevermind na íntegra, lados B, raridades ao vivo e gravações feitas para a BBC de Londres. E o álbum conseguiu a façanha de superar Dangerous, de Michael Jackson, no primeiro lugar da Billboard, enterrando de vez os excessos e a pompa dos astros da música pop dos anos 80.

A partir de 1991, o Grunge – movimento que tinha o Nirvana como um de seus principais representantes – provocou uma mudança no cenário musical americano. Bandas desconhecidas surgiram do cenário independente e conquistaram um público que até então não tinham acesso a este novo som, resultando numa atitude estética e musical. Robert Plant, vocalista do Led Zeppelin, certa vez declarou: “Finalmente os EUA tinham o seu próprio punk”.

Vinícius Nassif é fonoaudiólogo e educador musical

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