Prisão de Preta Ferreira denuncia aparato judicial racista, diz Ana Cañas

“Essa é a realidade do nosso país. Um aparato para prender pessoas pobres e pretas, e fazer a manutenção de privilégios de pessoas brancas, homens que ocupam posições de poder e decisão no Brasil”, diz a cantora Ana Cañas sobre a prisão de Angélica dos Santos Lima, Janice Ferreira Silva (a Preta Ferreira), Ednalva Silva Franco e Sidney Ferreira Silva, ligadas aos movimentos de luta por moradia em São Paulo

Rede Brasil Atual - Desde que quatro lideranças de movimentos por moradia foram presas, há um mês, diversos artistas vêm chamando atenção para um processo que consideram de criminalização das lutas sociais. O que para a cantora e compositora Ana Cañas pode ser resumido em algumas palavras: “Prisões políticas, ilegais, arbitrárias e inconstitucionais”, destaca em entrevista aos jornalistas Marilu Cabañas e Glauco Faria, na Rádio Brasil Atual.

“É muito violento entender o que a gente está vivendo neste momento no país”, diz Ana Cañas sobre a detenção de Angélica dos Santos Lima, Janice Ferreira Silva (a Preta Ferreira), Ednalva Silva Franco e Sidney Ferreira Silva. Todos presos sob acusação de extorsão em prédios ocupados no centro de São Paulo, num processo sem justificativas em provas ou ações dos detidos, de acordo com advogados que acompanham o caso.

Há pelo menos dois anos, Ana Cañas conhece de perto o dia a dia da Ocupação Nove de Julho, um espaço reconhecido pela luta de moradia na região central da capital paulista, coordenado pelo Movimento Sem Teto do Centro (MSTC), mas que também se tornou um polo de resistência cultural e social, sediando mostras de artes, shows e festas.

Assim, se tornou amiga de Preta, filha da coordenadora da ocupação, Carmen Silva, que agora é vítima do “aparato judicial racista”, como avalia diante da prisão da ativista. “Fico pessoalmente muito revoltada de ver que minha amiga, uma pessoa que se dedica tanto pelo movimento, esteja presa”. Para a cantora, não restam dúvidas que a prisão das lideranças se trata de uma perseguição e criminalização aos movimentos sociais, que carrega ainda os interesses de agentes da especulação imobiliária.

Em entrevista exclusiva à repórter Nahama Nunes, da Rádio Brasil Atual, Preta também confirmou essa avaliação. Comparando-se ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, preso há mais de ano, a ativista denunciou que um carcereiro do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) chegou a dizer que “esse povo do PT tem que se foder”. Mesmo o responsável pelo pedido de prisão dos dirigentes, o promotor de Justiça Cássio Roberto Conserino, também é acusado de arbitrariedade, tendo já sido condenado a indenizar Lula por uma publicação ofensiva o chamando de “encantador de burros”.

“Essa é a realidade do nosso país. Um aparato para prender pessoas pobres e pretas, e fazer a manutenção de privilégios de pessoas brancas, homens que ocupam posições de poder e decisão no Brasil”, afirma Ana Cañas. Não à toa que outros artistas como Chico César, Maria Gadú e Criolo têm se manifestado contra a prisão das lideranças. Na entrevista, Preta chegou a agradecer o apoio da classe. “A moradia não é só um direito constitucional, como é um dever do Estado. Um dever que não é cumprido, então, essas pessoas (dos movimentos) estão fazendo um papel que seria ser dever do Estado”, defende a cantora.

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