Produção brasileira vai à final de festival de filmes de 1 minuto sobre direitos humanos

O filme "Amado Inimigo", que denuncia a violência contra a mulher, foi selecionado para a final do Mobile Film Festival - Stand Up for Human Rights, que terá uma cerimônia de premiação em Paris nesta terça-feira 4; confira entrevista feita por Marilza de Melo Foucher para o 247 com a jornalista e videomaker Bruna Weber e assista ao filme

Produção brasileira vai à final de festival de filmes de 1 minuto sobre direitos humanos
Produção brasileira vai à final de festival de filmes de 1 minuto sobre direitos humanos

Por Marilza de Melo Foucher, para o 247 (de Paris) - Em comemoração aos 70 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos, no dia 10 dezembro, vários eventos estão sendo organizados em Paris, dentre muitos o Mobile Film Festival, um Festival Internacional de filmes de um minuto. Esta edição será dedicada aos filmes sobre direitos humanos. O Festival é totalmente online. Foram selecionados 51 filmes de 19 países diferentes, dentre eles um brasileiro. Segundo Marina Martins, assistente chefa de projetos, a grande maioria dos filmes é realizada por jovens cineastas e cada um deles trata de um tema relacionado aos direitos humanos. Todos estão disponíveis online, no site do evento e nas páginas do Facebook, YouTube e Twitter. O conceito, segundo a brasileira Mariana, é '1 minuto, 1 celular, 1 filme'. A edição deste ano é feita em parceria com a ONU, a União Europeia e o programa YouTube Creators for Change.

No dia 4 de dezembro, haverá uma Cerimônia de Premiação em Paris, no cinema MK2 Bibliothèque, onde estarão presentes alguns realizadores dos filmes, representantes e organizações parceiras e membros do júri.

Abaixo, uma breve entrevista com a jornalista/videomaker Bruna Weber, a única brasileira a ser selecionada para a final do festival.

Bruna Weber é jornalista, nasceu em Novo Humburgo, no Rio Grande do Sul.

Bruna, nos fale primeiro do seu trabalho como jornalista e em seguida sobre a questão dos direitos humanos concernente à violência e assassinatos de mulheres no Brasil.

O discurso pode parecer pronto sobre o que é ser jornalista. Ao longo desses anos, trabalhei como repórter de TV em diferentes emissoras, e muitas vezes, o mercado não nos permite produzir aquilo que realmente percebemos que é relevante, aquele outro olhar aos fatos. Na verdade, muitas vezes, nossos fatos são números. E foi através disso - pesquisando sobre números da violência doméstica no Brasil - que construí a narrativa de "Amado Inimigo", única produção brasileira que está na final do Mobile Film Festival - Stand Up for Human Rights. E os dados impressionam, a cada duas horas uma mulher é assassinada aqui. Isso sem contar as vítimas de estupro, abuso psicológico e físico. É só buscar nos dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública.

Por que a questão dos direitos humanos lhe interessa?

Os direitos humanos deveriam interessar a todos, todos nós somos vítimas de um sistema que transforma heróis em vilões e vítimas em inimigos mortais, ou seja, somos reféns de um país comandado por políticos corruptos e nossa história carrega uma cultura machista e carregada de violência. Aproveito para desabafar sobre nosso futuro presidente. Vivemos em uma época em que é necessário ir em busca de paz e igualdade, e o que se viu dos eleitores nas urnas este ano foi uma mistura de sentimentos: ao mesmo tempo que se busca mudança e extermínio da corrupção, também se nota o preconceito velado que existia dentro de cada eleitor de Jair Bolsonaro.

O que você espera do próximo presidente do Brasil?

Não tenho conhecimento político para entender as manobras de governo, mas sei que não é o discurso de ódio, machista, homofóbico e preconceituoso que fará nosso país andar para frente. Tenho medo do que irá acontecer por aqui. Tenho medo que as minorias percam os direitos conquistados. 

Qual será o seu compromisso político com esta questão?

Dentro do possível, através do que sei fazer - produção de roteiros e vídeos - tento tocar as pessoas de alguma maneira, e penso que é por isso que conseguimos ser finalistas nesse prêmio. Nossa única intenção era mostrar uma realidade muito triste e dura do nosso país. Diariamente eu noticio sobre vítimas de violência doméstica. E a gente não pode se acostumar, ninguém vai nos calar. Hoje, com mais de 120 mil acessos em "Amado Inimigo", penso que de alguma maneira mobilizamos pessoas. Já é um começo.


Assista ao filme de 1 minuto "Amado Inimigo":

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