Zezé Motta: Brasil é governado por um racista e precisamos denunciar e lutar

Em entrevista à TV 247, a atriz e cantora falou sobre sua carreira, disse que o Brasil tem um representante racista e contou como a antropóloga Lélia Gonzalez atuou em sua militância no movimento negro. “A gente tem que denunciar, espernear, acotovelar, mas a luta tem que continuar”, afirmou

(Foto: Vinicius Bertoli)
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247 - A cantora e atriz Zezé Motta, uma das mais consagradas artistas brasileiras, concedeu entrevista à TV 247 e falou sobre sua trajetória artística, sua luta contra o racismo e sobre ser mulher negra no Brasil governado por Jair Bolsonaro. 

Em conversa com o jornalista Aquiles Lins e a advogada Karoline Chaves, Zezé Motta lamentou os mortos pelo novo coronavírus e  destacou os retrocessos do Brasil no combate às desigualdades. “É bem triste, depois de tanta luta, a gente ter um representante homofóbico, racista. É muito triste, parece que a gente está dando mil passos para trás e começando tudo de novo. Mas a verdade é que a gente não pode desistir da luta, porque se desistir fica pior. A gente tem que denunciar, espernear, acotovelar, mas a luta tem que continuar”, afirmou. 

Sobre sua militância na defesa dos direitos das pessoas negras, Zezé contou sobre a importância que a antropóloga, professora e intelectual brasileira Lélia Gonzalez teve em sua formação política. “Lélia foi uma pessoa muito importante na minha vida. Eu já tinha filmes que tinham estourado no mundo, fazia muitas entrevistas e sempre vinham perguntas sobre ser artista negro, mulher negra e fazer arte no Brasil. Eu tinha a vivência, o sentimento, mas não tinha um discurso articulado”, contou a atriz, acrescentando que sentia-se incomodada com a situação. 

“Aí abro o jornal e vejo ‘Curso de Cultura Negra, com Lélia Gonzalez, no Parque Laje’. Eu corri para lá e Lélia a partir deste curso passou a fazer parte da minha vida. Ela começou como minha professora, virou minha amiga, minha irmã e minha guru”, afirmou.

Zezé Motta, que está com 76 anos, contou também sobre persongens marcantes de sua carreira, como Xica da Silva, no filme homônimo de 1976, e Dandara, do filme Quilombo, de 1986 e revelou que já chegou a recusar papeis de empregada doméstica. Para a atriz, de lá para cá é possível perceber alguma mudança na representação de pessoas negras no cinema e na TV. "É possível perceber que já existe uma preoucupação até mesmo dos autores em dar mais visibilidade ao negro com outros personagens", afirmou Zezé.

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