A fala de Bolsonaro sobre a Previdência que derrubou o mercado e fez o Ibovespa cair 1,8% no mês

Índice já tinha um dia negativo com mau humor externo e queda das ações da Petrobras e Ambev, mas declarações do presidente admitindo que as regras do BPC (Benefício de Prestação Continuada) e a idade mínima para as mulheres podem ser alteradas derrubaram a Bolsa

A fala de Bolsonaro sobre a Previdência que derrubou o mercado e fez o Ibovespa cair 1,8% no mês
A fala de Bolsonaro sobre a Previdência que derrubou o mercado e fez o Ibovespa cair 1,8% no mês (Foto: REUTERS/Paulo Whitaker)

Do Infomoney - O pessimismo tomou conta do mercado doméstico nesta quinta-feira (28), o que acabou levando o Ibovespa a fechar fevereiro no negativo. Em queda desde a abertura, o índice acelerou as perdas no início da tarde após a notícia de que o presidente Jair Bolsonaro já considera fazer alterações em alguns pontos da reforma da Previdência, como idade mínima para mulheres.

Neste cenário, o Ibovespa fechou com queda de 1,77%, aos 95.584 pontos, com o volume financeiro atingindo R$ 17,088 bilhões. Com a queda de hoje, o índice fechou o mês com perdas de 1,86%, mas ainda mantém ganhos de 8,76% em 2019.

O contrato de dólar futuro com vencimento em março teve alta de 0,25%, a R$ 3,738, enquanto dólar comercial subiu 0,61%, cotado a R$ 3,7531 na venda. No mercado de juros, o contrato futuro com vencimento em janeiro de 2021 avançou 7 pontos-base, para 7,15%, ao passo que o DI para janeiro de 2023 teve alta de 6 pontos-base, a 8,25%.

Em encontro com jornalistas em Brasília, Bolsonaro afirmou que a idade mínima de 62 anos para as mulheres se aposentarem é um ponto que pode ser alterado no projeto de reforma da Previdência, segundo informações do Valor Econômico.

Ele ainda admitiu que pode haver mudanças na regra do BPC (Benefício de Prestação Continuada). O projeto aponta que idosos pobres já passariam a receber salário mínimo ao completar 70 anos. A partir dos 60 anos, receberiam R$ 400 por mês.

Além disso, pressionou o mercado as ações da Petrobras (PETR3 -2,64%; PETR4 -0,07%) e da Ambev (ABEV3 -6,15%) após as companhias divulgarem seus resultados. Os papéis da Vale (VALE3 +0,58%) também operam em queda. As bolsas internacionais foram pressionadas pelo término abrupto da rodada de reuniões entre Donald Trump e Kim Jong-Un, presidente da Coreia do Norte, sem que um acordo fosse fechado.

O desempenho fraco da economia brasileira também desanimou os investidores. O PIB (Produto Interno Bruto) cresceu 1,1% no ano passado, praticamente em linha com a estimativa mediana do mercado, que era de 1,2%, segundo a Bloomberg.

O problema é que houve revisão para baixo dos números do crescimento brasileiro dos trimestres anteriores. O desempenho do terceiro trimestre passou de alta de 0,8% para 0,5% e o segundo trimestre também enfraqueceu, passando de avanço de 0,02% para estagnação.

Para Newton Rosa, economista-chefe da SulAmérica Investimentos, a revisão dos números mostra que a economia anda em "câmera lenta" e o prognóstico não é animador. Tanto que o economista cortou sua projeção para o PIB de 2019 de 2,2% para 2%. O Bradesco BBI também revisou sua estimativa e espera um crescimento ainda menor, de 1,7%.

Lá fora, o PIB dos Estados Unidos cresceu 2,6% no quarto trimestre do ano passado, resultado ligeiramente acima da expectativa de alta de 2,2% na base trimestral, de acordo com estimativa mediana feita pela Bloomberg. No ano, o crescimento foi de 2,9%, na maior expansão desde 2015. O crescimento vem em meio a incertezas sobre o ritmo de expansão das economias globais.

No cenário político, Brasília já está esvaziada de parlamentares que seguiram para suas cidades antes do feriado prolongado de Carnaval, mas a articulação política para obter a aprovação da reforma da Previdência no Congresso segue no radar dos investidores.

Os parlamentares cobram as regras para a reforma dos militares e apoiadores da candidatura de Bolsonaro se mostram menos afeitos às novas regras de aposentadoria apresentadas e presidente pode perder sua maior fonte de apoio: a internet.

Enquanto isso, Bolsonaro recebeu Juan Guaidó, presidente autoproclamado da Venezuela, sem as pompas de uma autoridade, mas em um claro recado ao mundo de que está do lado contrário ao de Nicolás Maduro.

Destaques de ações

No âmbito corporativo, a Petrobras teve lucro líquido de R$ 25,78 bilhões, conseguindo assim seu primeiro resultado positivo anual desde 2013. Além disso, a petrolífera registrou um Ebitda recorde de R$ 114,9 bilhões em 2018, mas o resultado do quarto trimestre ficou abaixo das expectativas.

A Ambev teve lucro líquido de R$ 3,36 bilhões entre outubro e dezembro e as vendas líquidas somaram R$ 16,02 bilhões, acima da maior estimativa compilada pela Bloomberg, de R$ 15,55 bilhões. O Ebitda ajustado ficou em R$ 7,48 bilhões, com margem de 46,7%.

 

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