A frase de Putin que ajudou a dar R$ 6,65 bi à Petrobras na Bovespa

Commodity tem mais um dia de fortes ganhos e se aproxima dos maiores patamares do ano; entre os principais fatores que puxaram a valorização do petróleo, destaque para as falas do presidente da Rússia, Vladimir Putin, que sinalizou que seu país estaria pronto para se unir à proposta de limitar a produção de petróleo feita por membros da Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo)

Presidente da Rússia, Vladimir Putin, durante encontro em Moscou. 17/11/2015 REUTERS/Alexei Nikolskyi/SPUTNIK/Kremlin
Presidente da Rússia, Vladimir Putin, durante encontro em Moscou. 17/11/2015 REUTERS/Alexei Nikolskyi/SPUTNIK/Kremlin (Foto: Gisele Federicce)

Do Infomoney - Os preços do petróleo negociados no mercado internacional voltaram a subir com intensidade nesta segunda-feira (10), com o barril tipo brent disparando 2,00% e o WTI, 2,81%, respectivamente cotados a US$ 52,97 e US$ 51,21. Com isso, a commodity já se aproxima dos maiores valores do ano, surfando na onda do otimismo dos investidores com a possibilidade de um acordo de congelamento na produção pelos maiores exportadores.

A percepção contribuiu para mais uma sessão positiva para as ações da Petrobras (PETR3, R$ 17,49, +3,19%; PETR4, R$ 15,73, +3,08%) na Bovespa. Apenas neste pregão, a estatal ganhou R$ 6,652 bilhões em valor de mercado e viu seus papéis atingirem seus maiores patamares em quase dois anos. De janeiro para cá, as ações PN da estatal acumulam ganhos de 134,78%.

Entre os principais fatores que puxaram a valorização do petróleo, destaque para as falas do presidente da Rússia, Vladimir Putin, que sinalizou que seu país estaria pronto para se unir à proposta de limitar a produção de petróleo feita por membros da Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo).

"Nós apoiamos a recente iniciativa da Opep para estabelecer limites à produção de petróleo. Esperamos que na reunião da Opep de novembro a ideia seja incorporada a um acordo oficial, dando um sinal positivo aos mercados e investidores", afirmou o líder russo em congresso realizado em Istambul (Turquia).

Putin disse ainda não ver a possibilidade de a era do petróleo e gás acabar em um futuro próximo. "A demanda por energia tradicional é apoiada não somente pela motorização e eletrificação de grandes países e economias como a China e a Índia, como pela contínua participação de óleo e gás nas mais diversas áreas da vida humana, nos processos industriais", disse o presidente.

Também contribuiu para a alta do petróleo no mercado internacional o otimismo do ministro de energia da Arábia Saudita, Khalid al-Falih. Ele disse acreditar que grandes produtores de petróleo conseguirão chegar a um acordo final para reduzir a produção da commodity até novembro, quando a Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) fará sua reunião de cúpula. O representante saudita defende que "é o papel de produtores responsáveis" buscar o equilíbrio entre oferta e demanda.

No mês passado, a Opep anunciou um acordo preliminar para cortar sua produção, mas os detalhes finais ainda estão em discussão. Segundo Al-Falih, muitos produtores de fora da Opep sinalizaram estar dispostos a trabalhar com o grupo para reduzir o excesso de oferta no mercado e ajudar a impulsionar os preços do petróleo, que estão em tendência de queda há mais de dois anos. "Eu acho que as forças do mercado mudaram significativamente entre 2014 e agora", disse Al-Falih, acrescentando que a hipótese de o petróleo alcançar US$ 60 por barril até o fim do ano "não é impensável".

Por fim, a terceira notícia que mexeu com o mercado de commodities nesta segunda-feira foi a aceitação do Iraque por congelar sua produção em 4,75 milhões de barris a 5 milhões. A iniciativa foi compartilhada pelo ministro do petróleo do país, Jabar al-Luaibi, e vai no sentido oposto das ações iraquianas, sauditas e russas no ano anterior, quando os três elevaram produção a níveis recordes para garantir participação de mercado, em disputa com produtores de custos mais altos.

Noticiário da estatal

Do lado da estatal, destaque ainda para as falas do CEO e do CFO da empresa em entrevista à Bloomberg em Nova York na última sexta-feira. De acordo com o o diretor financeiro Ivan Monteiro, a Petrobras já é assediada por bancos estrangeiros e pode escolher entre empréstimos de bancos ou de agências de crédito. A estatal só fechou uma transação com garantias comerciais em petróleo, a melhor opção naquele momento, com melhores taxas.

Já o CEO Pedro Parente afirmou que uma gigante do petróleo dos EUA já mira Brasil após mudança. O escritório do Ministério das Relações Exteriores em Houston já foi contatado por 7 empresas, incluindo uma gigante do petróleo americana, depois que a Câmara aprovou a abertura do pré-sal a operadores estrangeiros, afirmou. "Recebi informação de um ex-CEO de um empresa americana enorme dizendo que, se a lei mudasse", a companhia teria interesse em voltar para o Brasil, disse Parente, sem revelar o nome da empresa. O CEO ainda destacou que o preço de combustível continuará acima do internacional.

Ainda no noticiário da estatal, segundo o Valor Econômico, a Caixa Econômica Federal negocia com o governo para que o Tesouro Nacional assuma avais de operações de crédito, hoje dados pelo banco, em operações com empresas estatais, com destaque para a Petrobras. A informação foi dada pelo presidente da Caixa, Gilberto Occhi, em entrevista ao Valor. "Temos feito algumas propostas ao Tesouro. Há garantias que a Caixa dá hoje, e que consomem capital do banco, mas que o Tesouro poderia dar", diz.

Por fim, o jornal O Estado de S. Paulo informa que a Cosan tem interesse em olhar gasodutos que estão sendo colocados à venda pela Petrobras. No entanto, haveria dificuldades do negócio avançar, uma vez que o modelo proposto pela estatal atrela os gasodutos à venda de refinarias, o que não interessaria a Cosan.

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