Ação da Embraer cai até 15% após fim de acordo com a Boeing

Anúncio do final da parceria se deu em meio a maior crise da história da Boeing, que envolve dois acidentes aéreos e a paralisação do setor em decorrência da pandemia da Covid-19. Companhia norte-americana responsabilizou a Embraer pela não conclusão do negócio

(Foto: Paulo Whitaker/Reuters)
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Lara Rizério, Infomoney - Acompanhando os ganhos do mercado internacional com novas medidas de estímulo do Japão e expectativa por reabertura de algumas economias depois do pico do coronavírus, reforçados ainda pelo apoio de Jair Bolsonaro a Paulo Guedes, o Ibovespa tem uma sessão de ganhos. Vale destacar que, na última sexta-feira, a sessão foi de forte queda para o índice, de mais de 5%, com a saída de Sérgio Moro do Ministério da Justiça e Segurança Pública intensificando a crise política.

No início da sessão, a Petrobras subia 1% apesar da forte queda do petróleo, com baixa de 25% para o contrato do WTI com vencimento em junho e de cerca de 7% para o brent, em meio à preocupação com o armazenamento da commodity, com o aumento dos estoques por conta da pandemia do novo coronavírus. Porém, o papel logo virou para perdas.

Contudo, o grande destaque de baixa fica para a Embraer, de até 15%, após a Boeing anunciar ter encerrado as negociações para comprar a divisão de aviação comercial da brasileira, levando a um corte duplo de recomendação pelo Bradesco BBI e fazendo com que a companhia tenha que revisar suas projeções de produção. Na sexta-feira, em meio aos rumores, as ações já haviam caído 10,68%.

Já entre as maiores altas, estão Via Varejo com aquisição da empresa ASAPLog, de Curitiba (PR), e elevação de recomendação, enquanto BR Distribuidora, Lojas Americanas e B2W sobem após anunciarem parceria. Confira os destaques:

Embraer 

Até então parceiras, as fabricantes de aviões Embraer e Boeing entraram em guerra no sábado, após a americana ter anunciado que encerrou as negociações para comprar a divisão de aviação comercial da brasileira. As empresas haviam anunciado, em julho de 2018, o acordo de US$ 4,2 bilhões, que recebeu aval do governo de Jair Bolsonaro sete meses depois.

O anúncio da Boeing se deu em meio a maior crise de sua história, que envolve dois acidentes com seu principal avião, o 737 MAX, e a paralisação do setor aéreo em decorrência da pandemia da covid-19. A companhia responsabilizou a Embraer pela não conclusão do negócio. Em nota, afirmou que “exerceu seu direito de rescindir (o contrato) após a Embraer não ter atendido as condições necessárias”, mas não especificou quais eram as condições.

A Embraer respondeu às afirmações, três horas depois, também em nota, na qual acusou a americana de ter rescindido o contrato de forma indevida. “(A Boeing) fabricou falsas alegações como pretexto para tentar evitar seus compromissos de fechar a transação e pagar à Embraer o preço de compra de U$ 4,2 bilhões.”

A nota afirma ainda que a empresa acredita que a Boeing vinha adotando “um padrão sistemático de atraso e violações repetidas ao MTA ( acordo), pela falta de vontade em concluir a transação, pela sua condição financeira, por conta dos problemas com o 737 MAX e por outros problemas comerciais e de reputação”. Veja mais clicando aqui. 

Após a rescisão do contrato, o Bradesco BBI cortou a recomendação para os ADRs da Embraer de outperform para underperform, com o preço-alvo sendo cortado de US$ 25 para US$ 4.  “Em nossa opinião, a COVID-19 resultará na adiamento de entregas de aeronaves e novos pedidos. Além disso, a Embraer como empresa independente precisará competir com a Airbus no mercado de jatos regionais. Para 2020, cortamos a expectativa entrega de aeronaves comerciais e executivas em 49% e 10%, respectivamente, levando a redução de 22% nas estimativas de receita líquida. Para 2021, reduzimos nossas entregas esperadas em 44% e 14% nas áreas comercial e executiva, respectivamente, levando a uma receita líquida esperada 22% menor”, apontam.

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