Acordo UE-Mercosul protege Europa e deixa Brasil vulnerável, diz especialista

Para o professor de Economia Internacional da UFRJ Luiz Carlos Prado, os agricultores europeus não devem sofrer com o acordo UE-Mercosul, pois o documento fragiliza o produtor sul-americano; "O acordo tem problemas para nós, principalmente porque não parece haver medida por parte do governo para evitar os riscos do acordo", disse

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Sputnik - Para especialista, agricultores europeus não devem sofrer com o acordo UE-Mercosul, pois o documento fragiliza o produtor sul-americano.

O setor agrícola italiano manifestou forte oposição ao acordo comercial que a Comissão Europeia fez com o grupo de países sul-americanos do Mercosul em junho, disse o ministro italiano da Agricultura, Gian Marco Centinaio, nesta segunda-feira.

"Expressamos uma forte preocupação", disse Centinaio em Bruxelas. Segundo ele, o governo italiano deve se opor ao acordo, que exige o voto da maioria dos países da UE para ser aprovado.

O ministro italiano comentou que o acordo é "arma apontada para a cabeça" do setor agrícola do país europeu. "Haverá uma invasão de produtos", disse Centinaio, ligado ao vice-primeiro-ministro de extrema-direita, Matteo Salvini.

​Sputnik Brasil conversou sobre o tema com Luiz Carlos Prado, professor de Economia Internacional da UFRJ. Para ele, os europeus não precisam se preocupar. Além do texto definitivo ainda não estar pronto, "o acordo prevê uma quantidade grande de possibilidades de defesa da agricultura europeia. Eu não consigo vislumbrar um cenário, onde haverá uma maciça exportação de produtos do Mercosul, mesmo produtos agrícolas, para a União Europeia", disse o especialista.

O motivo seria a "clausula de precaução", assinada pelas partes, que prevê uma série de mecanismos para reduzir a exportação de produtos agrícolas da América Latina.

"Do ponto de vista da União Europeia o acordo é muito bom. O acordo tem problemas para nós, principalmente porque não parece haver medida por parte do governo para evitar os riscos do acordo", acrescentou Prado.

Ele lembrou que não foi elaborada nenhuma política no Brasil para adequar o setor de manufaturados à "invasão" de produtos europeus. Já no caso agrícola, o setor vai precisar mudar radicalmente, se quiser atender as exigências sanitárias europeias. Assim como a política ambiental do país, que também precisará ser alterada.

Para o interlocutor da Sputnik, UE aproveitou o momento, no qual o Brasil e a Argentina estavam "em grande vulnerabilidade e com governos que queriam fazer esse acordo, independente das consequências" e fez um acordo "muito bom para eles [para Europa]".

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