Baixo crescimento e reforma trabalhista geram cada vez mais informalidade no mercado de trabalho, diz economista

O ex-diretor técnico do Dieese Sérgio Mendonça explicou que o baixo crescimento do PIB aliado à reforma trabalhista fazem com que as vagas de emprego sejam cada vez mais precárias e informais. “Não há dúvidas de que não vamos resolver as questões de emprego formal, de criação de empregos formais, se nós não voltarmos a crescer mais”, disse à TV 247. Assista

Sérgio Mendonça e Paulo Guedes
Sérgio Mendonça e Paulo Guedes

247 - Ex-diretor técnico do Dieese, o economista Sérgio Mendonça conversou com a TV 247 nesta semana e esclareceu a alta dos empregos informais no Brasil. Ele afirmou que a combinação de um baixo crescimento interno com os impactos da reforma trabalhista, consequentemente, geram a precarização das vagas de trabalho.

“Essa combinação de baixo crescimento e uma reforma trabalhista que retira, em boa medida, os direitos dos trabalhadores cria condições que, mesmo em uma retomada, nós tenhamos cada vez mais uma inserção mais precária e mais informal de novas vagas no mercado de trabalho”, afirmou.

Sérgio Mendonça explicou que o baixo crescimento do PIB, que há três anos está em torno de 1%, causa pouca criação de emprego. “Não há dúvidas de que não vamos resolver as questões de emprego formal, de criação de empregos formais, se nós não voltarmos a crescer mais. Em 2015 tivemos uma queda grande do PIB, 3,5%, em 2016 3,3% e depois em 2017, 2018 e 2019 estamos crescendo em média 1%. Estamos em um PIB abaixo do de 2014, sem falar o PIB por habitante, porque a população também cresceu nesse 5 anos. Isso evidentemente tem um efeito devastador sobre o mercado de trabalho, você não gera a quantidade de empregos necessários, se o produto cresce pouco você vai gerar menos emprego”.

Além disso, a retirada de direitos promovida pela reforma trabalhista permite que surjam modalidades de emprego cada vez mais precárias e informais, de acordo com o economista, afetando diretamente no sistema previdenciário. “Hoje as condições de gerar empregos ou ocupações mais informais, que não sigam a CLT, as regras anteriores a 2017, são muito melhores para os empregadores, para quem quer gerar uma nova ocupação, que tende a cair daqui para frente no que a gente chama de ocupação informal, ou no MEI ou em uma situação mais precária. A legislação e a jurisprudência que vai se criando nos tribunais do Trabalho, regionais ou mesmo no TST tende a precarizar mais as relações de trabalho. No ano passado, segundo dados do Caged, nós tivemos 644 mil empregos formais criados, em torno de 18%, 80 mil, foram os chamados empregos intermitentes, que é essa nova modalidade que foi criada com a legislação trabalhista”.

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