Bancões

Acredito que estamos iniciando uma onda dos bancos digitais de forma mais forte, mas que sofrerá pressões caso haja uma maior concentração de bancos no mercado nacional

O BC tenta amadurecer, aprimorar e apertar as regras contra possíveis desmandos e descontroles em nosso sistema bancário. De forma geral, estuda-se obrigar que as integralizações de capital dos sócios devam socorrer o banco, caso ele esteja em dificuldade, e assim evitar que a instituição quebre, mas o banqueiro continue abusando do sistema.

Tombini está correto no seu caminho de endurecer as relações e antecipar cenários de dificuldade que, se neste momento não nos assolam, podem um dia chegar e acachapar o modelo bancário brasileiro. Sinceramente não vejo tal cenário no curto e médio prazo.

Nossa memória não pode excluir o período conturbado do PROER, que se de um lado abalou as estruturas nacionais bancárias, possibilitou uma abertura de mercado muito forte. Mesmo que algumas operações, digo, estatizações, tenham levantado dúvidas, seu legado é inegavelmente positivo.

Entendo que agora passadas algumas décadas, o sistema bancário nacional se modernizou, avançando nas estruturas bancárias, que reiteradamente têm sua expansão garantida pela formalização da renda e inclusão de brasileiros na onda financista.

Além disso, não podemos deixar de considerar os avanços tecnológicos que possibilitaram a evolução das ferramentas de atendimento e canalizaram as energias construtivas para que o sistema bancário se mantenha sempre próximo do usuário. Tablets, smarphones e outros portáteis já dominam os canais de acesso aos bancos.

Visitar a agência bancária se tornou algo ligado a solução de problemas e última opção em casos de pagamentos. A adesão aos home banking é crescente, mesmo que 95% das fraudes bancárias já estejam ligadas a picaretagens na web.

Esta integração tecnológica é o que acredito ser uma segunda onda institucional para os bancos. Quero dizer com isso que caminharemos para uma rede integrada de serviços digitais, com bancos digitais, serviços personalizados, caixas eletrônicos universais e alteração na relação física bancária. Leia-se agências. Repito que a tendência é reduzirmos nossas idas a elas.

Nosso sistema de compensação é indiscutivelmente forte, bem elaborado e mantém-se em linha com todos os países desenvolvidos. Além disso, a dinamização das operações de pagamento ganhou celeridade no momento em que baixamos os valores de TED para R$ 1.000,00.

Como nem todos os fatos são positivos neste caminhar dos bancos, rechaço ainda a forma como os bancos se colocam a cobrar pelos serviços prestados. O pagamento mensal de uma taxa de serviços a título de cesta já está datado, mas parece-me que os bancos ainda não equacionaram uma forma melhorada de se fazer isso. Infelizmente, a maioria das reclamações ligadas aos serviços bancários está atrelada á cobranças incorretas de taxas.

Uma segunda geração de bancos, com foco na internet, já vem mudando este cenário. É tímido e prematuro ainda, mas há canais e opções sendo ampliadas. Canais de investimentos mais atrativos são a melhor forma para atrair clientes a estes chamados bancos virtuais.

O acesso da população à internet de melhor qualidade possibilita que as transações antes ligadas ao meio físico (agências) se concentrem no meio digital, além da crescente utilização dos cartões de crédito, débito e em breve a popularização do celular como meio de pagamento, tendem a reduzir as idas aos bancos tradicionais ao mínimo possível, e a movimentação de dinheiro em espécie da mesma forma.

Outro ponto a se destacar é a forma como os "bancões" estão se organizando e consolidando no mercado. Preocupa-me esta concentração de bancões privados de um lado e dois players estatais de outro, deixando os bancos médios sobre forte stress.

Especulações sobre novas fusões entre Santander e Bradesco já ocorreram, assim como diversas conversas e especulações descabidas foram ouvidas com relação a HSBC, Itaú e outros. Cada um destes, à sua maneira, tiveram notas ventiladas na imprensa negando qualquer menção.

O que de fato precisamos averiguar nestas fusões (caso sejam verdadeiras) é se iremos manter o nível de concorrência, se manteremos uma distribuição de correntistas de forma a não prejudicar novas instituições. Este fator concentrador poderá impedir que a onda dos "bancos digitais" cresça, uma vez que a captação de novos clientes ficará dificultada.

Mais uma ponderação que merece ficar registrada é o avanço das gerações, ou seja, hoje, já temos uma base de brasileiros acostumados aos meios magnéticos como forma de pagamentos, descolados das antigas formas de pagamento via cheques, carnês e outras modalidades que não eram tão ágeis e ativas como as atuais formas.

Enfim, acredito que estamos iniciando uma onda dos bancos digitais de forma mais forte, mas que sofrerá pressões caso haja uma maior concentração de bancos no mercado nacional. Particularmente, não gostaria de ter em nosso mercado uma fusão entre os maiores bancos privados, sejam elas quaisquer combinações possíveis. Além disso, precisa-se rever a forma como os bancos cobram seus serviços.

Personalizar os serviços, suas cobranças e suas comodidades fazem parte do avançar da economia.

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