Beluzzo: Dilma não está agindo como gostaria

Economista Luiz Gonzaga Beluzzo, que foi professor da presidente Dilma Rousseff, afirma que a presidente está sendo colocada contra a parede pelo mercado financeiro e afirma que ela está reagindo como pode; "ela está lá meio desconfortável, fazendo o que pragmaticamente deve fazer, não o que ela gostaria", diz ele

SÃO PAULO, SP, BRASIL,  20-01-2011, 15h30: Entrevista com o ex-presidente do palmeiras Luiz Gonzaga Belluzo, em seu apartamento em Pinheiros. (Foto: Letícia Moreira/Folhapress, MÔNICA BERGAMO) *** EXCLUSIVO FOLHA***
SÃO PAULO, SP, BRASIL, 20-01-2011, 15h30: Entrevista com o ex-presidente do palmeiras Luiz Gonzaga Belluzo, em seu apartamento em Pinheiros. (Foto: Letícia Moreira/Folhapress, MÔNICA BERGAMO) *** EXCLUSIVO FOLHA*** (Foto: Leonardo Attuch)

247 - Em entrevista concedida à jornalista Eleonora de Lucena (leia aqui), o economista Luiz Gonzaga Beluzzo, que foi professor da presidente Dilma Rousseff, afirma que o governo vem sendo pressionado pelo mercado financeiro e que ela reage como pode.

"O governo está perdendo a batalha ideológica e política para o mercado financeiro. O mercado financeiro hoje, no mundo, é um setor cujo funcionamento está voltado para o enriquecimento de suas próprias funções ou dos seus participantes. Deixou de fazer a intermediação banco/empresa/investimento. Por que eles resistem à intervenção no câmbio? A volatividade cambial é péssima para a decisão de investimento. Mas para eles é ótima, porque ficam arbitrando", diz ele.

Beluzzo também comenta a percepção dos agentes econômicos de que a presidente Dilma estaria à esquerda de Luiz Inácio Lula da Silva, seu antecessor. "O mercado acha que ela está à esquerda de Lula. Dizem que o Lula era legal porque conversava. Dizem que ela é a rabugenta, intervencionista e o diabo. A presidente, coitada, herdou esse negócio, e é muito difícil se desvencilhar disso. Ela está seguindo mais ou menos os cânones que são dominantes na economia. Deu uma recuada diante da correlação de forças. Ela está lá meio desconfortável, fazendo o que pragmaticamente deve fazer, não o que ela gostaria. Nem acho que a questão se coloque como mais ou menos intervenção. Com o câmbio muito fora do lugar e a situação internacional, haverá dificuldades de reativar a economia. São duas as oportunidades que ela tem: acelerar as concessões e melhorar o investimento em infraestrutura, com efeito sobre a indústria, e o pré-sal."


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