Bovespa cai 1% com temor de guerra comercial

Principal índice da B3 caiu 1,04% a 95.008 pontos, com volume negociado de R$ 9,680 bilhões com o recrudescimento da guerra comercial entre Estados Unidos e China; já o dólar comercial subiu 0,48% a R$ 3,9574 na compra e a R$ 3,958 na venda

Bovespa cai 1% com temor de guerra comercial
Bovespa cai 1% com temor de guerra comercial

Do Infomoney - O Ibovespa fechou em queda de 1% nesta segunda-feira (6), mas susteve os 95 mil pontos após passar o pânico que levou os mercados a "sell-off" pela manhã com o recrudescimento da guerra comercial entre Estados Unidos e China. Nossa Bolsa seguiu os índices norte-americanos, que fecharam perto das máximas, ensaiando zerar perdas depois dos investidores terem um dia inteiro para digerir os tuítes do presidente norte-americano, Donald Trump, falando em aumentar as tarifas sobre US$ 200 bilhões em produtos chineses.  

Por aqui, o principal índice da B3 caiu 1,04% a 95.008 pontos, com volume negociado de R$ 9,680 bilhões. Já o dólar comercial subiu 0,48% a R$ 3,9574 na compra e a R$ 3,958 na venda. O dólar futuro com vencimento em junho registrou ganhos de 0,49% a R$ 3,9675. 

Segundo o analista da XP Investimentos, Gabriel Fonseca, as notícias de hoje mostraram que teremos um ambiente externo mais adverso do que se esperava. Na semana passada, o Federal Reserve já frustrou expectativas ao praticamente descartar uma redução de juros este ano e dias depois o presidente dos EUA reduziu as chances de um desfecho rápido na guerra comercial. 

"São fatores novos, que trazem aversão a risco e impactarão commodities, mas não é o fim do mundo. O mercado brasileiro é mais guiado pela política doméstica do que por essas questões", afirma o especialista. Vale lembrar que amanhã começam os trabalhos da Comissão Especial para análise da Reforma da Previdência na Câmara dos Deputados. 

Nos juros futuros, o DI para janeiro de 2021 teve queda de dois pontos-base a 7,03%, enquanto o DI para janeiro de 2023 subiu um ponto-base a 8,15%.

Trade war

Trump atribuiu os bons dados da economia dos EUA, como o crescimento de 3,2% no Produto Interno Bruto (PIB) no primeiro trimestre, e a criação de 263 mil vagas de trabalho em abril, aos seus esforços em reduzir o déficit comercial com a China. Ele lembrou que a balança comercial respondeu por boa parte do incremento do PIB, por exemplo, junto com o aumento no gasto estatal. 

"As tarifas pagas aos EUA têm tido um pequeno impacto no custo dos produtos, em sua maior parte gerados pela China. As negociações comerciais com a China continuam, mas muito lentamente, enquanto eles tentam renegociar. Não!", disse Trump.

Em tuíte mais recente, o presidente dos EUA disse que seu país tem perdido, por muitos anos, de US$ 600 bilhões a US$ 800 bilhões em comércio exterior e que isso não vai mais acontecer. 

Apesar disso, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Geng Shuang, afirmou que uma delegação do país ainda prepara uma viagem aos Estados Unidos para uma nova rodada de negociações comerciais. O funcionário, contudo, não respondeu uma questão sobre a data da viagem nem se o grupo será liderado pelo vice-premiê Liu He.

Relatório Focus

Os economistas ouvidos pelo Relatório Focus do Banco Central derrubaram a projeção de crescimento da economia brasileira de 1,7% para 1,49% na semana passada, de acordo com o documento publicado nesta segunda. No início do ano, os economistas no Focus esperavam avanço de 2,53% no PIB (Produto Interno Bruto).

É a décima vez seguida que as perspectivas para a economia brasileira são revisadas para baixo. Para 2020, a expectativa de crescimento da economia brasileira foi mantida em 2,5%.

Para o medidor oficial de inflação do BC, o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), o Focus mostra manutenção em 4,04% nas expectativas dos economistas. A mediana do Top 5 (os cinco economistas que mais acertam projeções) para o IPCA variou para cima de 3,96% para 3,98% na última semana. 

As projeções para a taxa de câmbio no fim do ano foram mantidas em R$ 3,75 e a previsão para a taxa de juros básica da economia brasileira, a Selic, continuou em 6,5% ao ano. 

Política

O presidente Jair Bolsonaro (PSL) defendeu, durante a divulgação de uma entrevista concedida ao apresentado Silvio Santos, na noite deste domingo, a aprovação da reforma da Previdência como maneira de tirar União, estados e municípios de uma situação financeira crítica. Segundo Bolsonaro, o País tem um gasto de R$ 750 bilhões por ano com o pagamento de aposentadorias e a diferença aumenta cada vez mais, “porque nós estamos vivendo mais”. 

Em busca de apoio popular para aprovar a reforma da Previdência, o Palácio do Planalto anunciou na noite desta sexta-feira, 3, que lançará campanha publicitária a favor da proposta na segunda quinzena de maio. Com o mote "Nova Previdência, pode perguntar", as propagandas serão veiculadas em rádio, televisão, jornais e internet. O governo também pretende espalhar outdoors em algumas cidades. De acordo com o Planalto, a ideia é divulgar que as mudanças na Previdência vão promover justiça social e ampliar a capacidade de investimento do país.

O jornal O Globo destaca que o governo já prepara uma estratégia para driblar resistências à reforma da Previdência no Congresso e tentar manter a economia de R$ 1 trilhão. Segundo a publicação, deputados aliados apresentarão emendas que alteram o texto de pontos polêmicos, como o BPC, benefício pago a idosos de baixa renda. Será proposto que parte do benefício seja antecipada e que o valor de um salário mínimo seja recebido aos 68 anos e não aos 70 anos.

Ainda neste domingo houve a convenção estadual do PSDB, em que os caciques tucanos apareceram lado-a-lado, com o candidato derrotado nas últimas eleições, Geraldo Alckmin, afirmando se opor a um novo nome para o partido, ideia proposta pelo governo João Doria. Para Alckmin, os tucanos precisam fortalecer o ideal que gerou a criação da legenda, que é a social democracia.

Bolsas

Donald Trump anunciou ontem por meio de sua conta no Twitter que a tarifa de 10% imposta a US$ 200 bilhões em bens da China poderá subir para 25% na próxima sexta-feira, 10 de maio. Além disso, segundo o presidente americano, US$ 325 bilhões de bens adicionais recebidos pelos norte-americanos dos chineses permanecem sem cobrança de tarifas, mas serão tarifados em breve em 25%.

A decisão de Trump caiu como uma bomba no mercado global. A bolsa de Xangai despencou 5,58%, enquanto o índice Hang Seng, de Hong Kong, desabou 2,9%. Os índices S&P 500 e Dow Jones dos EUA, contudo, reduziram perdas e caíram recuam perto de 0,3%. As bolsas europeias caíram, em sua maioria, mais de 1%, mas a volatilidade foi reduzida por conta do feriado no Reino Unido, que deixou a Bolsa de Londres fechada. 

O petróleo, por outro lado, fechou em forte alta após cair pela manhã. O barril do petróleo tipo WTI subiu 1,29% a US$ 62,74 e o barril do petróleo tipo Brent – usado como referência para a Petrobras – avançou 1,04% a US$ 71,59. 

Noticiário corporativo

O Bradesco (BBDC3 -3,25%; BBDC4 -2,7%) anunciou, por meio de fato relevante, a aquisição do BAC Florida Bank (BAC Florida). O valor desembolsado será de aproximadamente US$ 500 milhões, de acordo com o documento. O banco americano tem foco em serviços financeiros para pessoas físicas de alta renda não-residentes.

A compra ainda está sujeita à aprovação de órgãos reguladores de ambos os países. De acordo com o Bradesco, o principal intuito do movimento é "ampliar a oferta de investimentos nos EUA aos seus clientes de alta renda (Prime) e do Private Bank, além de outros serviços bancários, como conta corrente, cartão de crédito e financiamento imobiliário".

A Vale (VALE3 -1,47%) informou que o atual presidente do Conselho de Administração da companhia, Gueitiro Matsuo Genso, será substituído por José Maurício Pereira Coelho. Segundo a mineradora, Pereira Coelho é um executivo com sólida experiência em finanças, relações com investidores, M&A, governança corporativa, planejamento estratégico e extensa atuação em conselhos de administração de companhias listadas no Novo Mercado da B3. Conforme a Vale, o executivo assumiu a presidência da Previ em julho de 2018 após ocupar diversas posições na diretoria do Banco do Brasil desde 2009.

Já a Braskem (BRKM5 -2%) afirmou ser possível que não consiga arquivar o Formulário 20-F 2017 até 16 de maio, novo prazo dado à empresa pela Bolsa de Valores de Nova York (Nyse). A companhia diz que segue empreendendo esforços importantes e recursos significativos, e trabalhando para concluir os procedimentos e análises sobre os seus processos e controles internos.

O caso envolve investigações ligadas à Operação Lava-Jato. Caso o Formulário 20-F 2017 não seja arquivado até tal data, a companhia estará em descumprimento com as exigências de listagem da Nyse. Se isso ocorrer, a Nyse deverá dar início aos procedimentos para deslistagem e, simultaneamente, suspenderá a negociação das American Depository Shares (ADSs) da empresa.

No setor de alimentos, a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, se disse “perplexa” com as queixas da Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo) sobre a lista de 24 unidades bovinas que será entregue pelo governo brasileiro aos chineses em busca de novas habilitações, segundo o jornal Valor Econômico. A disputa se encontra na lista de plantas, que estaria privilegiando a JBS (JBSS3 -1,07%), que tem sete frigoríficos, e a Minerva (BEEF3 +1,14%), com quatro. Das grandes companhias de carne bovina, apenas a Marfrig (MRFG3 -1,55%) faz parte da Abrafrigo. JBS e Minerva estão com a Abiec, outra associação das indústrias exportadoras de cares.

Por fim, a Petrobras (PETR3 -0,07%; PETR4 -0,3%) decidiu aumentar o preço médio do diesel comercializado nas refinarias em R$ 0,0577, enquanto o preço da gasolina permanecerá inalterado. A informação consta do site da empresa, no qual a petroleira lista os valores praticados em 37 postos de suprimento do mercado nacional, para a gasolina, o diesel S10 e o diesel S500. Com o reajuste de 2,57%, o preço do diesel passará de R$ 2,247 por litro para R$ 2,3047. O aumento passou a valer sábado, dia 4.

 

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