Bresser diz que o liberalismo econômico é incompatível com o desenvolvimento

Economista e ex-ministro Luiz Carlos Bresser-Pereira afirma que "as elites brasileiras estão convencidas pelo Norte que o liberalismo econômico é racional"; "Na verdade", diz ele, "além de populista, defende os interesses dos rentistas e dos financistas"; para ele, "os problemas fundamentais da economia brasileira resultam do liberalismo econômico dominante"

Bresser Pereira
Bresser Pereira (Foto: Gisele Federicce)

Por Luis Carlos Bresser-Pereira, via Facebook

Liberalismo incompatível com o desenvolvimento

A economia brasileira saiu da recessão em 2017; neste ano as assessorias econômicas do Boletim Focus preveem um crescimento de 2,7%. Parece uma previsão razoável, que mostra como a recuperação da economia brasileira está sendo lenta. Não poderia ter sido diferente, porque um regime de política econômica liberal é dominante no país desde 1990. Desde 1994, depois que um choque heterodoxo baseado na teoria da inflação inercial estabilizou os preços, a economia brasileira deveria ter retomado o crescimento e o catching up, mas não foi isso o que aconteceu. O que temos é quase-estagnação. Entretanto, ajudados pela hiato desenvolvimentista incompetente que foi o governo Dilma, os liberais construíram uma narrativa em que todo o problema foram os governos do PT. Não é verdade. O governo Lula teve suas culpas, mas foram essencialmente do seu lado liberal: deixou que a moeda nacional se apreciasse.

Os problemas fundamentais da economia brasileira resultam do liberalismo econômico dominante. Mesmo quando o liberalismo não cai no populismo fiscal, ele não tem condições de garantir um verdadeiro desenvolvimento econômico que implique catching up ou alcançamento. São três as razões para isso.

• O liberalismo econômico defende política monetária de "aprofundamento financeiro" que resulta em um nível de taxa de juros elevado, que tem como consequências:
o (a) apreciação de longo prazo da moeda nacional,
o (b), desestímulo do investimento e, portanto, ao crescimento,
o (c) aumento do deficit público e desequilíbrio fiscal.

• O liberalismo econômico ignora a doença holandesa, que resulta
o também apreciação de longo prazo da moeda nacional;
o também desestímulo ao investimento e, portanto, ao crescimento.

• O liberalismo econômico defende a política de crescimento com deficits em conta-corrente e endividamento externo, ignorando que essa política significa
o também apreciação de longo prazo da moeda nacional;
o também desestímulo do investimento e, portanto, ao crescimento,
o financiamento mais do consumo do que da poupança e de investimento, e, portanto,
o populismo cambial.

É isto o que ensina o novo desenvolvimentismo, mas as elites brasileiras estão convencidas pelo Norte que o liberalismo econômico é racional. Na verdade, além de populista, defende os interesses dos rentistas e dos financistas. Mas esta é uma outra história.

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