Com a privatização dos Correios não haverá interesse em atender todos, diz ex-funcionário

Na semana em que a mídia corporativa dispara sua artilharia contra os Correios, o Por Elas, da TV 247, entrevistou Edson Dorta e Henrique Áreas, funcionários e representantes sindicais. Na conversa tratou-se da manipulação da direita sobre a categoria, privatização dos Correios e sobre a bandeira Lula Livre à frente da empresa

Agência dos Correios
Agência dos Correios (Foto: Divulgação)

247 - O ex-Secretário Geral da Federação Nacional dos Correios (Fentect) Edson Dorta e o ex-diretor da Fentect Henrique Áreas conversaram com a TV 247, no programa Por Elas, sobre a privatização dos Correios, manipulação da direita sobre a categoria e da defesa da empresa pela libertação do ex-presidente Lula.

Dorta comentou a famosa foto de funcionários queimando a bandeira e ressaltou que uma pequena parcela deles apoiou o golpe contra Dilma; a direita teria manipulado a opinião pública fazendo crer que a maioria dos mais de 100 mil funcionários seriam contra o PT, quando, na verdade, eles reconhecem a importância da defesa que Lula e Dilma fizeram das estatais, apesar de algumas concessões a grupos interessados na privatização da empresa.

Áreas enfatizou a importante diferença de objetivos e funcionamento entre as empresas estatais e privadas - sobretudo em setores estratégicos: "O Brasil tem mais de 5 mil municípios. E durante o governo da Dilma, o Correio comemorou porque conseguiu chegar a todos esses municípios. Se você passar para uma empresa privada, a gente não vai ter isso. O setor privado visa o lucro: não haverá interesse em atender a todos. Já a empresa pública visa a atender os direitos da população”.

Ambos também comentaram o sucateamento da empresa, por exemplo com o número insuficiente de funcionários, prejudicando as entregas e sobrecarregando os demais colaboradores. Este sucateamento "artificialmente produzido" e a propaganda negativa da grande mídia durante anos têm o objetivo óbvio de difundir entre a população de que haveria necessidade de privatizar os serviços para 'melhorá-los'.

Já com relação à liberdade de Lula, Áreas acredita que os Correios foram a primeira empresa a incorporar essa bandeira coletiva à luta salarial da categoria. Dorta acrescentou que a categoria também foi a 1a. a incorporar o "Fora Bolsonaro" na campanha salarial este ano.

Finalmente, citaram o plano nacional de desestatização de Paulo Guedes que atinge prioritariamente setores estratégicos do país. O desafio da categoria é realizar a primeira greve em nível nacional, com ocupação, e obter adesão de outras categorias para se opor à ameaça real que este plano significa para os trabalhadores e para toda a população. "Só a luta política geral, unificada e radical, acima das divergências eventuais pode vencer tamanha ameaça, concluem os convidados do Por Elas."

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