Como a guerra comercial fez o Ibovespa cair 2,5% e o dólar saltar 1,7%

Ibovespa caiu 2,51% a 100.097 pontos com volume financeiro negociado de R$ 17,854 bilhões. Foi a maior queda desde 13 de maio; já o dólar comercial disparou 1,69% a R$ 3,9547 na compra e a R$ 3,9572 na venda

Bolsa de Valores de São Paulo.
Bolsa de Valores de São Paulo. (Foto: REUTERS/Paulo Whitaker)

Do Infomoney - O Ibovespa acompanhou as bolsas internacionais e desabou nesta segunda-feira (5) após a China desvalorizar sua moeda (o yuan) para o menor patamar em uma década, a 7 por dólar, e bloquear todas as importações agrícolas dos Estados Unidos. 

Nos EUA, o índice S&P 500 teve sua maior queda no ano, ao recuar 2,98%, ao mesmo tempo em que o Dow Jones caiu 2,9% e o Nasdaq registrou perdas de 3,47%. 

Por aqui, o Ibovespa caiu 2,51% a 100.097 pontos com volume financeiro negociado de R$ 17,854 bilhões. Foi a maior queda desde 13 de maio, quando desabou 2,69%. 

Ao mesmo tempo em que a Bolsa recuou, o dólar comercial disparou 1,69% a R$ 3,9547 na compra e a R$ 3,9572 na venda, enquanto o dólar futuro com vencimento em setembro dispara 2,05% a R$ 3,9745.

Trump respondeu no Twitter à retaliação chinesa, exortando o Federal Reserve a mudar sua política monetária para fazer frente à guerra comercial.

"A China derrubou a sua moeda a mínimas quase históricas. Isso é chamado de 'manipulação cambial'. Você está ouvindo, Federal Reserve? É uma violação enorme que irá enfraquecer a China ao longo do tempo", escreveu. 

Segundo o estrategista global da XP Investimentos, Alberto Bernal, se os EUA forem retaliar o novo movimento chinês, não há alternativa senão impor uma tarifa geral de 25% sobre todos os produtos que entram no país. 

"Não vemos nenhuma possibilidade de tal decisão não colocar a economia mundial de joelhos, principalmente devido ao efeito rápido e virulento que uma mudança nas condições financeiras agora tem sobre a economia real (por causa da globalização, das mídias sociais e do aumento contínuo da relevância do consumo na matriz de crescimento do mundo desenvolvido)", avalia. 

Na avaliação da XP, Trump precisa ter uma economia e mercados financeiros estáveis para ganhar a reeleição, já que o próximo pleito promete ser bastante competitivo.

Desta forma, se o atual presidente americano quiser se reeleger, o dilema deveria que ser resolvido em breve, uma vez que os chineses querem um acordo. Contudo, o grande problema é que o conflito aumenta, o que torna cada vez mais complicado "recuar e se salvar" ao mesmo tempo. 

Segundo a estrategista do ABN Amro, Georgette Boele, as tensões com a guerra comercial parecem estar aqui para ficar. 

Além disso, os analistas já enxergam o câmbio se estabilizando em patamares superiores a R$ 3,90 em meio à perda de atratividade do carry trade no Brasil.

Enquanto o Fed reduziu as taxas de juros dos Estados Unidos em 0,25 ponto percentual sem sinalizar um ciclo de cortes, o Banco Central diminuiu a Selic na semana passada em 0,5 ponto percentual e deixou claro que esse é só o começo.

O diferencial de juros entre Brasil e EUA, portanto, está caindo. Como os títulos da dívida pública norte-americana são os mais seguros do mundo, se a taxa de juros cai aqui e se mantém lá, vale mais a pena comprar os bonds americanos.

No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2021 subia 13 pontos-base a 5,57% e o DI para janeiro de 2023 avançava 17 pontos-base a 6,53%.

Noticiário Corporativo

O Valor Econômico traz reportagem do Financial Times informando que aumentam as pressões sobre o CEO e acionista controlador do Casino, Jean-Charles Naouri. Segundo a publicação, circulam no mercado especulações de que ele será obrigado a reestruturar a divida do grupo, de cerca de 3 bilhões de euros.

Ele resiste a vender “joias da coroa” como a Franprix e Monoprix. A recente simplificação das operações latino-americanas, que conta com o Grupo Pão de Açúcar (PCAR4), por sua vez, poderia abrir caminho para a venda total ou parcial, destaca.

A capacidade da Petrobras (PETR3; PETR4) na exploração no mar, somada à crise da petroleira, colocou em segundo plano a produção de petróleo em terra firme.

Segundo o Estadão, a produção de petróleo em terra do Brasil, o chamado onshore, caiu pela metade entre 2000 e 2019. A exploração em terra é concentrada sobretudo no Nordeste, que abriga mais de 80% das reservas provadas do Brasil e 70% da produção.

Dados da Agência Nacional do Petróleo (ANP) mostram que a produção desse segmento caiu da média de 209,1 mil barris de petróleo por dia, no ano 2000, para 107,4 mil barris diários, em 2019 (média de 12 meses até maio).

Na direção oposta, alavancada pelo pré-sal, a produção total brasileira mais do que dobrou no mesmo período, de 1,2 milhão de barris para 2,6 milhões de barris por dia.

Ainda sobre a Petrobras, o Estadão destaca que a Petrobras cobra mais caro pelos combustíveis nos mercados atendidos por suas maiores refinarias e derruba o preço onde há portos e a concorrência de importados, conforme a Abicom, associação que reúne importadores do setor.

O cenário, diz a entidade, pode ser resultado de uma política deliberada da estatal brasileira de bater de frente com os concorrentes na oferta de combustível no Brasil.

O Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Gás Liquefeito de Petróleo (Sindigás) informou que a Petrobras vai reduzir o preço do GLP Residencial (embalagens até 13 kg) entre 6,5% e 12%, e do GLP Empresarial entre 11% e 17%, dependendo da localidade. A redução passa a valer a partir de hoje, informou o Sindigás.

Relatório Focus

O relatório Focus do Banco Central divulgado nesta segunda mostrou estabilidade nas projeções dos economistas para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) este ano. Foi mantida a previsão de expansão de 0,82% na atividade econômica em 2019 e também ficou estável em 2,1% para 2020. 

Com relação ao Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), as projeções dos economistas foram mantidas em 3,8%, para este ano, e em 3,9%, para 2020. 

A única alteração relevante nos indicadores foi a respeito da taxa básica de juros Selic, que teve sua expectativa reduzida de 5,5% no fim de 2019 para 5,25%. Para 2020 ela se manteve em 5,5%. 

O dólar também teve projeções mantidas em R$ 3,75 para 2019 e R$ 3,80 para 2020. 

Bolsas Internacionais

As bolsas internacionais fecharam em expressiva baixa com o acirramento das tensões comerciais sino-americanas.

O presidente norte-americano, Donald Trump, voltou a criticar no final de semana, pelo Twitter, as "dezenas de bilhões de dólares" pagas pela China por meio das tarifas impostas pelos EUA a bens exportados, dizendo que só são possíveis porque o gigante asiático desvaloriza sua moeda e estimula sua economia.

"As coisas estão indo muito bem com a China", escreveu Trump. "Eles [China] estão nos pagando dezenas de bilhões de dólares, possibilitados por suas desvalorizações monetárias e injetando quantias enormes de dinheiro para manter seu sistema funcionando", atacou.

Ele acrescentou, ainda, que, "até agora", o consumidor americano não tem pago pelas tarifas impostas a Pequim e reiterou que "não há inflação" no país.

Entre os indicadores asiáticos, o Índice de Gerente de Compras (PMI) de serviços na China recuou a 51,6 pontos em julho, de 52,0 pontos de junho. Já o PMI composto chinês subiu de 50,6, em junho, para 50,9 em julho, segundo a Markit e Caixin.

Já no Japão, o PMI de serviços em julho ficou em 51,8 ante 52,3 de junho, enquanto o composto se manteve estável, em 51,2 pontos.

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