Copom corta Selic em 0,75 ponto, para 7,50%

Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu, em reunião encerrada nesta quarta-feira (25), cortar a taxa básica de juros em 75 pontos-base, para 7,50% ao ano - menor nível desde abril de 2013 e próximo da mínima histórica, de 7,25%; esta foi a nona redução na Selic desde que Ilan Goldfajn assumiu a presidência do BC; corte representa uma diminuição no ritmo de baixa de juros; nos quatro encontros anteriores, o Banco Central aplicou uma redução de 100 pontos-base

Homem passa pela logomarca do Banco Central na sede do banco em Brasí­lia. 15/01/2014 REUTERS/Ueslei Marcelino
Homem passa pela logomarca do Banco Central na sede do banco em Brasí­lia. 15/01/2014 REUTERS/Ueslei Marcelino (Foto: Aquiles Lins)

Infomoney - Dando continuidade à política de afrouxamento monetário do Banco Central, o Copom (Comitê de Política Monetária) decidiu, em reunião encerrada nesta quarta-feira (25), cortar a taxa básica de juros em 75 pontos-base, para 7,50% ao ano - menor nível desde abril de 2013 e próximo da mínima histórica, de 7,25%. Esta foi a nona redução na Selic desde que Ilan Goldfajn assumiu a presidência do BC.

O corte representa uma diminuição no ritmo de baixa de juros. Nos quatro encontros anteriores, o Banco Central aplicou uma redução de 100 pontos-base. A leitura é de que, com as baixas sucessivas da taxa, o espaço para mais cortes, sem que a inflação seja afetada nos próximos anos, diminuiu.

Entre os especialistas, a principal dúvida agora é sobre até onde a Selic pode chegar. Com a inflação controlada e a economia ainda cambaleando, a expectativa é de que a Selic possa até cair a níveis inferiores a 7% ao ano, o que seria seu menor nível na história.

Confira o comunicado na íntegra:

O Copom decidiu, por unanimidade, reduzir a taxa Selic em 0,75 ponto percentual, para 7,50% a.a., sem viés.

A atualização do cenário básico do Copom pode ser descrita com as seguintes observações:

O conjunto dos indicadores de atividade econômica divulgados desde a última reunião do Copom mostra sinais compatíveis com a recuperação gradual da economia brasileira;

O cenário externo tem se mostrado favorável, na medida em que a atividade econômica global vem se recuperando sem pressionar em demasia as condições financeiras nas economias avançadas. Isso contribui para manter o apetite ao risco em relação a economias emergentes;

O Comitê julga que o cenário básico para a inflação tem evoluído conforme o esperado. Ocomportamento da inflação permanece favorável, com diversas medidas de inflação subjacente em níveis confortáveis, inclusive os componentes mais sensíveis ao ciclo econômico e à política monetária;

As expectativas de inflação apuradas pela pesquisa Focus recuaram para em torno de 3,1% para 2017 e 4,0% para 2018. As projeções para 2019 e 2020 mantiveram-se em torno de 4,25% e 4,0%, respectivamente; e

No cenário com trajetórias para as taxas de juros e câmbio extraídas da pesquisa Focus, as projeções do Copom situam-se em torno de 3,3% para 2017, 4,3% para 2018 e 4,2% para 2019. Esse cenário supõe trajetória de juros que encerra 2017 e 2018 em 7,0% e eleva-se para 8,0% ao longo de 2019.

O Comitê ressalta que seu cenário básico para a inflação envolve fatores de risco em ambas as direções. Por um lado, a combinação de (i) possíveis efeitos secundários do choque favorável nos preços de alimentos e da inflação de bens industriais em níveis correntes baixos e da (ii) possível propagação, por mecanismos inerciais, do nível baixo de inflação pode produzir trajetória prospectiva abaixo do esperado. Por outro lado, (iii) uma frustração das expectativas sobre a continuidade das reformas e ajustes necessários na economia brasileira pode afetar prêmios de risco e elevar a trajetória da inflação no horizonte relevante para a política monetária. Esse risco se intensifica no caso de (iv) reversão do corrente cenário externo favorável para economias emergentes.

Considerando o cenário básico, o balanço de riscos e o amplo conjunto de informações disponíveis, o Copom decidiu, por unanimidade, pela redução da taxa básica de juros em 0,75 ponto percentual, para 7,50% a.a., sem viés. O Comitê entende que a convergência da inflação para a meta no horizonte relevante para a condução da política monetária, que inclui os anos-calendário de 2018 e 2019, é compatível com o processo de flexibilização monetária.

O Copom entende que a conjuntura econômica prescreve política monetária estimulativa, ou seja, com taxas de juros abaixo da taxa estrutural.

O Comitê enfatiza que o processo de reformas e ajustes necessários na economia brasileira contribui para a queda da sua taxa de juros estrutural. As estimativas dessa taxa serão continuamente reavaliadas pelo Comitê.

A evolução do cenário básico, em linha com o esperado, e o estágio do ciclo de flexibilização tornaram adequada a redução da taxa básica de juros em 0,75 ponto percentual nesta reunião. Para a próxima reunião, caso o cenário básico evolua conforme esperado, e em razão do estágio do ciclo de flexibilização, o Comitê vê, neste momento, como adequada uma redução moderada na magnitude de flexibilização monetária. O Copom ressalta que o processo de flexibilização continuará dependendo da evolução da atividade econômica, do balanço de riscos, de possíveis reavaliações da estimativa da extensão do ciclo e das projeções e expectativas de inflação.

Votaram por essa decisão os seguintes membros do Comitê: Ilan Goldfajn (Presidente), Carlos Viana de Carvalho, Isaac Sidney Menezes Ferreira, Maurício Costa de Moura, Otávio Ribeiro Damaso, Paulo Sérgio Neves de Souza, Reinaldo Le Grazie, Sidnei Corrêa Marques e Tiago Couto Berriel.

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