CUT: elevação do PIB é ‘voo de galinha’ e sem dedo de Temer

"Temer comemora o desemprego, o sofrimento do povo. Exalta uma planilha. Mas o povo não come planilha, não trabalha planilha, não mora em uma planilha", disse o presidente da Central Única dos Trabalhadores, Vagner Freitas, sobre o anúncio pífio de Michel Temer; segundo o Dieese, o crescimento tem muito mais relação com fatores externos, como exportação e alta dos preços dos produtos exportados no mercado mundial, do que com ações internas de política econômica

"Temer comemora o desemprego, o sofrimento do povo. Exalta uma planilha. Mas o povo não come planilha, não trabalha planilha, não mora em uma planilha", disse o presidente da Central Única dos Trabalhadores, Vagner Freitas, sobre o anúncio pífio de Michel Temer; segundo o Dieese, o crescimento tem muito mais relação com fatores externos, como exportação e alta dos preços dos produtos exportados no mercado mundial, do que com ações internas de política econômica
"Temer comemora o desemprego, o sofrimento do povo. Exalta uma planilha. Mas o povo não come planilha, não trabalha planilha, não mora em uma planilha", disse o presidente da Central Única dos Trabalhadores, Vagner Freitas, sobre o anúncio pífio de Michel Temer; segundo o Dieese, o crescimento tem muito mais relação com fatores externos, como exportação e alta dos preços dos produtos exportados no mercado mundial, do que com ações internas de política econômica (Foto: Aquiles Lins)

Do portal da CUT - Cada vez mais fragilizado na presidência da República, o Michel Temer (PMDB) comemorou no Twitter o crescimento de 1% do PIB (Produto Interno Bruto) no primeiro trimestre de 2017.

O presidente da CUT, Vagner Freitas, reagiu indignado à comemoração. Para ele, Temer não conhece a realidade, as necessidades e muito menos o sofrimento dos brasileiros que, em seu governo, perderam os empregos e tiveram as condições de vida extremamente pioradas.

“Temer comemora o desemprego, o sofrimento do povo. Exalta uma planilha. Mas o povo não come planilha, não trabalha planilha, não mora em uma planilha”, diz Vagner.

Numa tentativa melancólica de tentar impor uma agenda positiva enquanto balança no cargo, o governo ignora completamente que o investimento continua em baixa e que a elevação não tem nenhuma relação com as políticas adotadas pela gestão golpista.

Ao contrário. Segundo levantamento do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), ainda que tenha havido algum avanço entre o último trimestre de 2016 e o primeiro de 2017, com crescimento de 1%, a economia brasileira encontra-se extremamente debilitada, se analisado em um período de tempo maior.

Comparando o trimestre de 2017 com 2016, houve queda no PIB de 0,4%, enquanto o índice acumulado de queda em 12 meses é de 2,3%.

Ainda assim, segundo o Dieese, o crescimento tem muito mais relação com fatores externos, como exportação e alta dos preços dos produtos exportados no mercado mundial, do que com ações internas de política econômica.
 

Índices como a formação bruta do capital fixo (FBCF), que medem o investimento em maquinários, novas indústrias etc., – veja tabela abaixo – apresentam queda e são o indicador mais preciso da fragilidade da atual economia.

Taxa do 1º tri de 2017 em comparação com o 4º tri de 2016, em %.


O que coloca a alardeada “desaceleração” da crise em bases extremamente frágeis e sem impacto efetivo para a vida do trabalhador, analisa o presidente da CUT. 

Vagner ressalta que o governo de um país onde o desemprego cresce de maneira continuada não tem o que celebrar. “Um país com mais de 14,5 milhões de desempregados, 2,6 milhões em um ano de gestão Temer, não tem o que comemorar. O Brasil está parado, empresas estão fechando as portas. Não dá para transformar derrota política, econômica e moral em vitória de planilha financeira”, critica.

Cenário de incertezas 

Na avaliação do Dieese, em um cenário de completa incerteza, encarecimento e redução do crédito, contração fiscal e redução do consumo das famílias, a queda dos investimentos indica, acima de tudo, dificuldades em se manter o cenário recente de amenização da crise para os próximos trimestres.

A crise permanece e tudo indica que o ritmo da retração foi apenas amenizado, freado por fatores pontuais e externos, em especial, a exportação e alta dos preços dos grãos no mercado mundial, e não relacionado com ações internas de política econômica, conforme também destaca o professor e economia Marcio Pochmann.

“Para a classe trabalhadora a recessão continua, na medida em que o nível de emprego encontra-se abaixo a cada mês que passa e a renda também não tem crescido. O efeito estatístico não decorre de políticas do governo Temer si da expansão do comércio externo, por meio das exportações, que já vinha se apresentando anteriormente por conta da desvalorização da moeda,  quem vem desde 2015, ainda no governo Dilma. Além disso, houve melhora na agricultura, algo também relacionado a efeitos climáticos que permitiram uma safra maior e não a políticas de Temer, que também nesse campo reduziu investimentos”, fala.

Voo de galinha

Pochmann lembrou que em períodos recentes de recessão, a alta do PIB se repetiu. “Entre 1981 e 1983, último governo militar, e 1990 e 1992, o primeiro civil, houve queda, depois estabilização da queda com sinal positivo em relação ao PIB e, no ano seguinte, sem medidas de recuperação, nova recessão. Ou seja, sem medidas efetivas para recuperação, como acontece no cenário atual, esses números comemorados por Temer poderão ser apenas ponto fora da curva de uma recessão prolongada”, falou.

Mesmo a redução da Taxa Selic, anunciada nesta quarta-feira (31), em um cenário sem estratégia e de crise econômica e política, é incapaz de gerar mudanças efetivas no crescimento do país, avaliou Pochmann.

“A inflação cai muito mais rapidamente do que a capacidade de o Banco Central e do Ministério da Fazenda reduzirem a Taxa Selic em termos nominais. A inflação está em 4% ao ano com a Selic acima de 10%. Isso é incapaz de promover o deslocamento das aplicações financeiras para a ‘economia real’, o setor produtivo.”

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