Delfim questiona: bancos definem chefe da Fazenda?

"Há certamente alguma coisa muito errada num país em que o ministro da Fazenda "precisa" ser escolhido pelo setor financeiro. O capitalismo "financeiro" não é, e é incrível que pretenda ser, um fim para si mesmo", diz o ex-ministro Delfim Netto, que aconselha a presidente Dilma Rousseff a escolher com calma o sucessor de Guido Mantega; "Tome seu tempo, senhora presidenta. Escolha livremente, com cuidado e segurança"

"Há certamente alguma coisa muito errada num país em que o ministro da Fazenda "precisa" ser escolhido pelo setor financeiro. O capitalismo "financeiro" não é, e é incrível que pretenda ser, um fim para si mesmo", diz o ex-ministro Delfim Netto, que aconselha a presidente Dilma Rousseff a escolher com calma o sucessor de Guido Mantega; "Tome seu tempo, senhora presidenta. Escolha livremente, com cuidado e segurança"
"Há certamente alguma coisa muito errada num país em que o ministro da Fazenda "precisa" ser escolhido pelo setor financeiro. O capitalismo "financeiro" não é, e é incrível que pretenda ser, um fim para si mesmo", diz o ex-ministro Delfim Netto, que aconselha a presidente Dilma Rousseff a escolher com calma o sucessor de Guido Mantega; "Tome seu tempo, senhora presidenta. Escolha livremente, com cuidado e segurança" (Foto: Leonardo Attuch)

247 - No artigo Homem de "mercado", o ex-ministro Delfim Netto faz interessantes reflexões sobre quem deve ser o sucessor de Guido Mantega na Fazenda.

"Há certamente alguma coisa muito errada num país em que o ministro da Fazenda "precisa" ser escolhido pelo setor financeiro. O capitalismo "financeiro" não é, e é incrível que pretenda ser, um fim para si mesmo. Sua arrogância é tal e tamanha que o leva a esquecer porque existe", diz ele.

Segundo ele, isso representaria a captura do papel de fiscal pelo fiscalizado – em outras palavras, a raposa tomando conta do galinheiro.

"Ninguém defende que os membros da Anatel "devem" ser indicados pelas empresas de telecomunicações! Já devíamos ter aprendido que a tentativa de "captura do fiscal pelo fiscalizado" é problema universal ligado à natureza humana e deve ser prevenido", diz ele.  Segundo, porque devemos aceitar como um axioma que um "homem do mercado" conhece necessariamente o funcionamento do mercado e a "última" teoria monetária (supondo que ela exista e está bem consolidada)? Seguramente ele sabe menos sobre as implicações macro e microeconômicas das medidas monetárias do que, por exemplo, um inteligente e honesto profissional que vem durante anos tentando encontrar relações estáveis entre as manobras da taxa de juro real e seus efeitos sobre a taxa de câmbio real."

Delfim prega cautela e paciência. "Tome seu tempo, senhora presidenta. Escolha livremente, com cuidado e segurança, na administração pública, na academia ou mesmo no mercado, o substituto do ilustre ministro Guido Mantega, que pagou um alto preço por sua fidelidade ao partido e ao seu governo."

 

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