Cintra diz à Veja que Guedes "sempre defendeu" novo imposto

O secretário da Receita Federal, Marcos Cintra disse que, assim como ele, o ministro Paulo Guedes também defende a proposta de imposto único. "Defende. Defende até hoje. Sempre defendeu. Todos os jornais publicaram entrevista dele, manifestações dele… Mas é a circunstância", disse

Ex-secretario especial da Receita Federal, Marcos Cintra
Ex-secretario especial da Receita Federal, Marcos Cintra (Foto: José Cruz/Agência Brasil)

247 - Demitido pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, a pedido de Jair Bolsonaro, nesta quarta-feira (11), o secretário da Receita Federal, Marcos Cintra disse em entrevista à Veja que, assim como ele, Guedes também defende a proposta de imposto único, mas que o novo tributo não tem apoio de Jair Bolsonaro.

No Twitter, Bolsonaro disse que a demissão de Cintra foi por "divergências no projeto da reforma tributária" e que "a recriação da CPMF ou aumento da carga tributária estão fora da reforma tributária por determinação do Presidente".

Sobre a proposta de de imposto único, Cintra garante que "o ministro (Paulo Guedes) está defendendo isso" e "sempre defendeu" essa proposta.

"Defende. Defende até hoje. Sempre defendeu. Todos os jornais publicaram entrevista dele, manifestações dele… Mas é a circunstância. As coisas acontecem não só pelo fato em si, mas é a circunstância na qual as coisas acontecem. Aquela palestra que o meu adjunto (Marcelo de Sousa Silva) deu…Olha que coisa curiosa: é a mesma palestra que eu já dei umas dez vezes em vários fóruns. Agora nesse aqui, em Brasília, acabou tendo uma repercussão grande. Tem muito a ver isso. A surpresa de uma repercussão que o presidente provavelmente não havia sido informado. Ele é muito espontâneo em suas reações. Isso acabou gerando um mal-estar e levou a esse desenlace", diz Cintra, explicando a sua demissão.

"O ministro defendeu o tempo inteiro. Ontem mesmo as manchetes dos jornais davam a defesa dele sobre a tributação sobre pagamento, falavam de alíquota, falavam de tudo. Não foi novidade, não. Enfim, fazia parte realmente. Estava sendo analisado. Todo mundo sabe", disse o ex-secretáro.

Segundo ele, "se o presidente repele uma medida, fica muito difícil para o ministro, para os secretários e para os técnicos avançarem com a proposta".

Na versão contada por Cintra, Guedes e ele tentaram "convencê-lo da justeza da proposta" de imposto único, sem mencionar a CPMF, que segundo ele, seria necessária "para viabilizar a reforma tributária". "Mas não tivemos sucesso. Infelizmente não fomos suficientemente convincentes", disse


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