Dólar dispara 29% no 1º tri e analistas veem poucos motivos para alívio

O dólar fechou em leve alta nesta terça-feira ante o real, mas disparou em março e encerrou os três primeiros meses de 2020 com a maior valorização trimestral em 18 anos

(Foto: Reuters)
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Por José de Castro

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar fechou em leve alta nesta terça-feira ante o real, mas disparou em março e encerrou os três primeiros meses de 2020 com a maior valorização trimestral em 18 anos, fruto da escalada dos receios econômicos decorrentes da pandemia do coronavírus.

Esse movimento refletiu ampla procura pela moeda norte-americana em todo o mundo, com empresas e instituições financeiras buscando manter o ativo em carteira diante do temor de fechamento dos canais globais de crédito à medida que a economia mundial mergulha em uma profunda recessão.

Para driblar a escassez da divisa, o Fed anunciou trilhões de dólares em medidas de suporte à liquidez. Paralelamente, os Estados Unidos aprovaram um pacote histórico de 2,2 trilhões de dólares em ajuda a empresas e trabalhadores. O BC brasileiro também anunciou ações para ajudar a economia.

Mas o dólar segue forte. Para analistas, a perspectiva de recessão global e no Brasil mina chances substanciais de um alívio, ainda que de curto prazo, no câmbio.

“A moeda (o real) tende a se fortalecer quando a economia cresce. E dificilmente vamos ver o Brasil crescer neste ano”, disse William Castro, estrategista-chefe da Avenue Securities, em Miami.

Uma economia mais vibrante atrai investimentos estrangeiros para o setor produtivo e recursos para portfólio, o que amplia a oferta de dólar e tende a baixar o preço da moeda.

Mas o mercado espera que o PIB do Brasil retraia 0,48% em 2020, contra expectativa anterior de crescimento de 1,48%, devido aos efeitos da pandemia.

Para Castro, somam-se a isso questões como a situação fiscal brasileira, o juro baixo (que oferece menor retorno ao investidor que abre mão de investidor em ativos em dólar) e persistentes ruídos políticos locais.

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