Dólar sobe e bolsa cai com medo de mudanças na política econômica

Presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, pode deixar o cargo em uma eventual reforma ministerial, desenhada com a possível entrada do ex-presidente Lula na equipe do governo, que poderia trazer Henrique Meirelles para o BC; dólar avançava mais de 1% e voltava a ser negociado acima de R$ 3,80 nesta quarta-feira; Ibovespa opera em queda nesta manhã

Presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, pode deixar o cargo em uma eventual reforma ministerial, desenhada com a possível entrada do ex-presidente Lula na equipe do governo, que poderia trazer Henrique Meirelles para o BC; dólar avançava mais de 1% e voltava a ser negociado acima de R$ 3,80 nesta quarta-feira; Ibovespa opera em queda nesta manhã
Presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, pode deixar o cargo em uma eventual reforma ministerial, desenhada com a possível entrada do ex-presidente Lula na equipe do governo, que poderia trazer Henrique Meirelles para o BC; dólar avançava mais de 1% e voltava a ser negociado acima de R$ 3,80 nesta quarta-feira; Ibovespa opera em queda nesta manhã (Foto: Gisele Federicce)

Por Ricardo Bomfim - O Ibovespa opera em queda nesta quarta-feira (16) com o mercado à espera da decisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre ministério. Ontem, a reunião de Lula com a presidente Dilma Rousseff terminou inconclusiva, com o ex-presidente esperando que Dilma amarre todas as pontas com o PMDB antes que ele assuma. Também tem algum impacto no mercado a notícia de que o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, deve deixar o cargo, de acordo com informações do Valor Pro (leia mais). Lá fora, as bolsas operam entre perdas e ganhos antes da reunião do Fomc (Federal Open Market Committee).

Às 10h37 (horário de Brasília), o benchmark da bolsa brasileira caía 0,38%, a 46.951 pontos. Já o dólar comercial tem alta de 1,32% a R$ 3,8126 na venda, enquanto o dólar futuro para abril sobe 0,91% a R$ 3,822. No mercado de juros futuros, em meio à notícia sobre Tombini, o DI para janeiro de 2017 opera em queda de 4 pontos-base a 13,84%, ao passo que o DI para janeiro de 2021 registra ganhos expressivos de 24 pontos-base a 14,92%.

Lula adia decisão de se tornar ministro

Após quatro horas e meia de reunião, o encontro entre Dilma e Lula no Palácio da Alvorada, em Brasília, terminou sem anúncio. Dilma e Lula discutiram a nomeação do petista para um ministério. A reunião foi inconclusiva e eles terão mais uma conversa nesta quarta-feira para selar ou não a entrada dele na equipe de governo, na condição de ministro. Segundo a colunista Cristiana Lobo, do G1, que ouviu fontes do Planalto, a tendência é Lula aceitar, mas ainda faltam detalhes a serem definidos. Lula mostrou dúvidas sobre entrar no ministério e contou ter sido informado por integrantes do PMDB de que sua presença nesse momento, não daria "governabilidade plena" a Dilma nem teria o condão de, por si só, barrar o impeachment.

Ações em destaque

Dentro do setor mais pesado no Ibovespa, o financeiro, bancos grandes caem, prejudicados pelo cenário político, que diminui a probabilidade de uma troca de governo que significasse uma mudança na condução da política econômica rumo à ortodoxia. Itaú Unibanco (ITUB4, R$ 29,62, -3,67%), Bradesco (BBDC3, R$ 27,23, -2,89%; BBDC4, R$ 24,36, -3,33%) e Banco do Brasil(BBAS3, R$ 17,20, -1,71%) recuam. Juntas, as quatro ações respondem por pouco mais de 20% da participação na carteira teórica do nosso benchmark.

As ações da Petrobras (PETR3, R$ 9,19, +3,14%; PETR4, R$ 6,68, +1,06%), viram para alta, acompanhando os preços do petróleo. O barril do WTI (West Texas Intermediate) sobe 1,6% a US$ 36,92, ao mesmo tempo em que o barril do Brent tinha ganhos de 1,45% a US$ 39,96. No radar da estatal, a Petrobras ainda prepara internamente a nova versão de seu plano de negócios, mas já é possível antecipar que a provável redução dos investimentos da estatal passa pela postergação de projetos no pré-sal. A petroleira portuguesa Galp, sócia da Petrobras em áreas importantes, como Lula e Iracema, informou ontem que ao menos três campos operados pela petroleira brasileira - Sépia, Lula Oeste e Atapu Norte - devem ser adiados.

Já a Vale (VALE3, R$ 13,76, +2,08%; VALE5, R$ 9,92, +2,37%) vai na contramão e sobe beneficiada pela alta do minério de ferro. A commodity spot com 62% de pureza e entrega no porto de Qingdao teve alta de 1,3% a US$ 53,57.

FOMC

O Federal Open Market Committee divulga a sua decisão de juros nesta quarta-feira às 15h. É um dos eventos mais importante do cenário macroeconômico da semana e deve ser acompanhado de perto pelos investidores. Nas projeções da Bloomberg, pelo menos três economistas acreditam em um aumento da taxa de juros, mas o economista da Rio Bravo, Evandro Buccini, considera bastante improvável este cenário. "O mercado vai se preocupar muito mais com o discurso do que com o ato, uma vez que será uma reunião com projeções e coletiva de imprensa. Neste caso, acredito que eles vão indicar que vão subir juros ao longo do ano porque o petróleo deu uma recuperada e a inflação surpreendeu para cima", explica.

STF

O Supremo Tribunal Federal (STF) julga hoje o recurso no qual o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), pretende modificar o julgamento sobre as regras de tramitação do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff, definidas em dezembro do ano passado. O recurso de Cunha chegou ao Supremo no dia 1º de fevereiro, antes da publicação do acórdão, que ocorreu na semana passada. Cunha voltou a defender votação secreta para eleição da comissão e a obrigatoriedade do Senado de dar prosseguimento ao processo deimpeachment. Segundo o presidente, ao aceitar recurso do PCdoB, que questionou a validade do rito do impeachment adotado por ele, o STF interferiu no funcionamento interno da Casa e restringiu direitos dos parlamentares. Em dezembro, o Supremo decidiu invalidar a eleição da chapa avulsa integrada por deputados de oposição ao governo, para formação da comissão especial da Câmara dos Deputados que conduzirá o processo.

Novas investigações

A partir da delação premiada do Delcídio, a PGR (Procuradoria-Geral da República) já decidiu pedir ao STF (Supremo Tribunal Federal) abertura de investigação para apurar denúncias contra o vice-presidente Michel Temer (PMDB), contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, contra o ministro da Educação, Aloizio Mercadante, e contra o presidente do PSDB, senador Aécio Neves (MG). A PGR deverá decidir nos próximos dias se pede ao STF instauração de inquérito para investigar a conduta da presidente Dilma na nomeação do ministro Marcelo Navarro para uma vaga no STJ (Superior Tribunal de Justiça).

Cenário externo

As bolsas europeias e os índices Dow Jones e S&P 500 oscilam sem tendência definida antes de encontro do FOMC, que pode trazer alguma sinalização sobre prazo de possíveis altas futuras dos juros americanos.

As bolsas chinesas terminaram em alta nesta quarta-feira, com o fim da sessão anual do Parlamento, enquanto no restante do continente os mercados tiveram pouca variação enquanto aguardavam a decisão de política monetária do banco central dos Estados Unidos. O índice CSI300, que reúne as maiores companhias listadas em Xangai e Shenzhen, avançou 0,5%, enquanto o índice de Xangai teve alta de 0,21%. Já o Nikkei do Japão recuou 0,83% após ser pressionado pelo alta do iene.

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