Dólar vai a R$ 4,14 e tem maior alta em dois meses

É a maior alta percentual diária desde 8 de novembro de 2019 (+1,83%). O nível é o mais alto para um encerramento desde 10 de dezembro de 2019 (4,1486 reais na venda)

Cotação do dólar
Cotação do dólar (Foto: Reuters)

Por José de Castro

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar começou a semana em firme alta de mais de 1% ante o real, na maior valorização diária em mais de dois meses e para o maior patamar em cerca de um mês, puxado por compras defensivas diante de posição técnica frágil e tendo como pano de fundo cenário ainda de carência de ingressos de recursos.

A moeda norte-americana também se fortalecia ante outras divisas de risco nesta sessão, sobretudo da América Latina, mas o real liderou as perdas nos mercados globais de câmbio.

No mercado interbancário, o dólar BRBY fechou esta segunda-feira em alta de 1,18%, a 4,1423 reais na venda.

É a maior alta percentual diária desde 8 de novembro de 2019 (+1,83%). O nível é o mais alto para um encerramento desde 10 de dezembro de 2019 (4,1486 reais na venda).

Na B3, o dólar futuro DOLc1 tinha alta de 1,12%, a 4,1440 reais, por volta de 17h30.

O dólar sobe em sete das oito sessões de 2020, acumulando no período valorização de 3,22% —o que deixa o real na lanterna neste começo de ano entre 33 pares do dólar.

Segundo Alysson Lima, sócio responsável pela área de câmbio da BlueLine Asset, a alta do dólar nesses últimos dias tem sido puxada por uma correção tanto global quanto doméstica em termos de expectativas. Ele lembra que, em dezembro, investidores venderam dólares em todo o mundo. No Brasil, a moeda caiu mais de 5%, com gestores e operadores à espera de um retorno do fluxo cambial.

“Mas o ano começou, e o fluxo não tem vindo. E isso tem pegado um mercado com posição técnica que parece frágil”, disse, acrescentando que as compras de dólares estão ocorrendo por demanda de fundos quantitativos —cujas estratégias de investimento são executadas via algoritmos.

De acordo com dados da B3, fundos locais venderam em dezembro um total de 8 bilhões de dólares em dezembro passado (considerando contratos de dólar futuro, cupom cambial e swap cambial). Com isso, zeraram posição comprada na moeda norte-americana.

O que pode dar algum alívio ao real, segundo analistas, é justamente a expectativa de que o fluxo cambial melhore. Depois do pior dezembro e ano da história em termos de saída de recursos em 2019, o fluxo cambial ficou negativo em 855 milhões de dólares apenas nos dois primeiros dias úteis de janeiro. A esperança é que ofertas de ações previstas para os próximos meses ajudem a reverter esse número.

O Morgan Stanley ainda coloca o real na lista de apostas positivas para alocação, junto com peso mexicano MXN=, peso colombiano COP=, iuan chinês CNH= CNY= e rublo russo RUB=, mas com menor convicção do que rupia indiana INR= e peso chileno CLP=.

Dentre os elementos que compõem o modelo de alocação, o retorno de taxa de juros é o fator que mais contribui para as expectativas de lucros na alocação, mas também é o ponto fraco do real, já que a taxa de juros no Brasil segue na mínima histórica e abaixo das taxas em vários emergentes.

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