Eletrobras anuncia prejuízo de R$ 10,5 bilhões

Empresa teve seus resultados afetados pela renovação das concessões do setor elétrico e terminou o ano com perdas acumuladas de R$ 6,9 bilhões

Eletrobras anuncia prejuízo de R$ 10,5 bilhões
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SÃO PAULO, 28 Mar (Reuters) - A Eletrobras sofreu prejuízo líquido de 10,5 bilhões de reais no quarto trimestre, encerrando 2012 com resultado negativo de 6,9 bilhões de reais, pressionada por uma série de perdas bilionárias que incluíram a renovação das concessões de energia decidida pelo governo no ano passado.

A companhia, que anunciou ainda plano de investimento de 52,4 bilhões de reais entre 2013 e 2017, registrou no quarto trimestre perdas de 10 bilhões de reais relacionadas à antecipação da renovação das concessões no plano do governo para reduzir as tarifas de energia.

Segundo o balanço da estatal, as perdas em geração relacionadas à renovação somaram 7,34 bilhões de reais, enquanto na transmissão houve perda de 3,1 bilhões e a distribuição registrou ganho de 359 milhões. A companhia também apurou, entre os eventos não recorrentes do quarto trimestre, perda de 1,6 bilhão de reais relacionada a contrato oneroso de Jirau.

Com isso, a Eletrobras teve uma geração de caixa medida pelo lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) negativa em 12 bilhões de reais no quarto trimestre, com margem também negativa de 124 por cento. Um ano antes, o Ebitda havia sido de 1,2 bilhão de reais, com margem de 14 por cento.

No ano, o Ebitda foi negativo em 6,17 bilhões de reais. Segundo a Eletrobras, não fossem os efeitos "atípicos", o Ebitda de 2012 teria sido de 5,5 bilhões de reais, queda de 8,4 por cento sobre 2011, pressionado por queda na receita de repasse da usina de Itaipu e aumento de provisões.

A Eletrobras apurou receita líquida de 9,68 bilhões de reais no quarto trimestre, aumento de 10,6 por cento sobre o mesmo período de 2011.

A dívida líquida somou 23,57 bilhões de reais ao final do ano passado, ante 11,43 bilhões em 2011.

INVESTIMENTO

No plano de investimento da estatal, que deve ser detalhado ainda nesta quinta-feira, a Eletrobras afirmou que o total de recursos a serem destinados a novos projetos entre 2013 e 2017 é de 20,3 bilhões de reais, somados aos 32,1 bilhões que já estão comprometidos com empreendimentos contratados.

Após o prejuízo bilionário de 2012, a companhia afirmou no plano prever redução de 30 por cento no custeio nos próximos três anos. Para conseguir parte disso, o grupo vai fazer contingenciamento de 20 por cento no orçamento de materiais, serviços e outras despesas para todas as empresas do grupo em 2013.

A empresa informou ainda que deve concluir em 90 dias estudos sobre alternativas para reestruturação de seus negócios na área de distribuição de energia e que contratará consultoria especializada para apoiar a reestruturação de seu modelo de negócio societário, de governança e de gestão.

(Por Alberto Alerigi Jr.)

Prejuízo é o maior já registrado por uma empresa de capital aberto brasileira

O prejuízo da Eletrobras, de R$ 10,49 bilhões, referente ao quarto trimestre de 2012 (Out-Dez), é o maior já registrado na história das empresas de capital aberto brasileiras em qualquer período trimestral.

A consultoria Economatica listou o prejuízo trimestral de todas as empresas de capital aberto brasileiras desde 1986 e verifica que entre os 10 maiores prejuízos, há ainda a Vale do Rio Doce na quarta colocação, com o prejuízo anunciado no quarto trimestre do ano passado.

Oito dos maiores prejuízos dos dez listados aconteceram no quarto trimestre, um no segundo trimestre e outro no terceiro trimestre.
Entre os 10 maiores prejuízos históricos temos quatro do setor bancário e quatro do setor de Energia Elétrica. Dos 10 maiores prejuízos históricos, sete são de empresas com controle estatal.

Veja abaixo a lista dos dez maiores prejuízos da historia das empresas de capital aberto brasileiras.
Notas de Rodapé:

- Os demonstrativos usados na pesquisa são aqueles disponíveis na base de dados da CVM.
- Os demonstrativos utilizados são os originais, ou seja, não são aqueles reapresentados junto com o demonstrativo do ano seguinte.
- Os demonstrativos são os originais (da CVM) e não pró-forma.

 

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