Emprego: o tema central na disputa de 2014

As taxas de desemprego se mantiveram em níveis historicamente baixos, mas isso se deve em parte à menor busca por trabalho; vigor do mercado será ponto crucial nas eleições do próximo ano

As taxas de desemprego se mantiveram em níveis historicamente baixos, mas isso se deve em parte à menor busca por trabalho; vigor do mercado será ponto crucial nas eleições do próximo ano
As taxas de desemprego se mantiveram em níveis historicamente baixos, mas isso se deve em parte à menor busca por trabalho; vigor do mercado será ponto crucial nas eleições do próximo ano (Foto: Leonardo Attuch)

Por Vitor Nuzzi, da Rede Brasil Atual

São Paulo – O emprego se manteve em 2013, apesar das expectativas contrárias, ou da torcida, de analistas. Houve mesmo quem propusesse um pequeno aumento do desemprego para ajudar no combate à inflação, ou quem escrevesse que, apesar de tantos acontecimentos negativos, as empresas "ainda" não tinham demitido. Posições ideológicas ou desvios semânticos à parte, o mercado de trabalho efetivamente perdeu ritmo, embora continue abrindo vagas. Mas não se pode desconsiderar o fato de que, em boa medida, a redução dos índices de desemprego se deva à menor busca por trabalho, o que reduz a pressão no mercado e ajudar a empurrar as taxas para baixo.

O desemprego caiu. É um fato. Vem caindo sistematicamente, de maneira quase ininterrupta, há dez anos, o que mostra reversão de um processo corrente nos anos 1990 e 2000, de redução de empregos, especialmente os formais. Mas o ritmo de abertura de vagas também se reduziu. É outro fato. Entre fatos e versões, o desempenho do mercado de trabalho em 2014 se apresentará como um tema central do debate eleitoral. Até aqui, prevalece a expectativa de que será um ano sem anormalidades, ou seja, sem grandes variações para baixo ou para cima.

Em novembro, último dado disponível, a população economicamente ativa (PEA) diminuiu 1% nas seis regiões metropolitanas pesquisadas pelo IBGE, em relação a igual mês de 2012: são 247 mil pessoas a menos. Isso fez com que, mesmo com 170 mil vagas eliminadas nesse período, o número de desempregados caísse em 77 mil (-6,4%).

Apenas de outubro para novembro foram 139 mil desocupados a menos nas seis regiões. Mas o gerente da pesquisa do IBGE, Cimar Azeredo, observa: "Essa queda não ocorreu em função do aumento da população ocupada, foi em função do aumento da inatividade." Ele acredita que o quadro ficará mais claro com a divulgação dos resultados finais de 2013, mas apresenta hipóteses. Pode haver casos em que a pessoa já foi contratada para começar a trabalhar e não precisou mais buscar emprego. "Ou, em função de aumento do rendimento familiar, as pessoas estão tendo menos necessidade de procurar trabalho."

Os dados da pesquisa da Fundação Seade e do Dieese, embora tenham metodologia diferente da do IBGE, mostram tendência semelhante. A taxa de desemprego segue em níveis baixos, mas a dinâmica se dá principalmente pela menor busca por emprego. A PEA praticamente não variou em 12 meses, até novembro: 0,2% corresponde a um acréscimo de 34 mil pessoas, em um universo de 19 milhões de ocupados. Mas a informação positiva é de que, mesmo de forma mais tímida, a ocupação cresce continuamente há sete meses. Em relação a novembro de 2012, são 125 mil empregos a mais.

Nos dois casos, as taxas médias anuais deverão ser menores que as de 2012. A média de janeiro a novembro, pelo IBGE, mostra 5,5%, pouco abaixo de igual período do ano passado (5,6%). Em novembro, chegou a 4,6%, menor nível histórico.

"Tem uma menor pressão da PEA, menos jovens e menos mulheres pressionando no mercado de trabalho", observa o diretor-técnico do Dieese, Clemente Ganz Lúcio. Ele lembra que ainda há muita criação de empregos com salários menores e menor duração, com alta rotatividade, principalmente nos serviços e no comércio, que são os que mais abrem vagas, já que a indústria ainda enfrenta problemas. "Estamos no limite do que a gente pode chamar de uma certa estabilidade no emprego."

Para o coordenador de análise da Fundação Seade, Alexandre Loloian, este foi um ano "típico" para o mercado de trabalho, com algum crescimento do desemprego nos primeiros meses e recuperação no segundo semestre. "Tivemos um início de ano horroroso, muito ruim, e depois houve uma recuperação, nada espetacular", comenta. Mas ele também critica as "previsões exageradamente pessimistas" de alguns comentaristas. E destaca o "crescimento constante" do emprego com carteira assinada, ainda que em ritmo menor. Em 12 meses, até novembro, a região metropolitana de São Paulo abriu 160 mil vagas formais, segundo a pesquisa Dieese/Seade. Nesse período, caiu principalmente o emprego de autônomos e empregados domésticos. 

Pela mesma pesquisa, os empregados com carteira assinada em São Paulo somavam 3,165 milhões dez anos atrás. Agora, são 5,312 milhões, um crescimento de 68%. Os sem carteira foram de 1,074 milhão para 889 mil, queda de 17%. E essa mesma base comparação não deixa dúvida quanto à melhoria do mercado de trabalho: o total de dezembro passou de 1,976 milhão para 1,024 milhão, redução de 48%, enquanto o número de ocupados aumentou 24%, para 9,874 milhões (1,9 milhão a mais). Segundo o IBGE, hoje os empregados com carteira são maioria (50,6%) entre os ocupados.

Os números oficiais do mercado formal, fornecidos pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), também demonstram mais vitalidade nos dez últimos anos. De 1992 a 1999, o saldo do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) só foi positivo em 1993 e 1994. De 1995 a 2002, o país só criou 800 mil vagas com carteira assinada. De 2003 a 2010, 11 milhões.

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