Entusiasta da retomada, CNI agora não vê motivo ‘para comemorações’

O boletim Fato Econômico, da CNI, aponta uma situação no segundo trimestre pior que a do primeiro; "A confiança de empresários e consumidores continua baixa, o que dificulta os investimentos e o consumo. Isso impede uma recuperação mais forte da economia", analisa o gerente-executivo de Política Econômica da entidade empresarial, Flávio Castelo Branco

Entusiasta da retomada, CNI agora não vê motivo ‘para comemorações’
Entusiasta da retomada, CNI agora não vê motivo ‘para comemorações’ (Foto: Esq.: Divulgação / Dir.: Adriano Machado - Reuters)

Rede Brasil Atual - O boletim Fato Econômico, da Confederação Nacional da Indústria (CNI), aponta uma situação no segundo trimestre pior que a do primeiro e um cenário nebuloso em relação a perspectivas para a economia. "A confiança de empresários e consumidores continua baixa, o que dificulta os investimentos e o consumo. Isso impede uma recuperação mais forte da economia", analisa o gerente-executivo de Política Econômica da entidade empresarial, Flávio Castelo Branco. A incerteza eleitoral também é citada na análise.

Os dados da CNI – que em grande medida inspirou o modelo de "reforma" trabalhista aprovado em 2017 – apontam algum alento em junho, mas insuficiente, de acordo com a confederação, para recuperar perdas que teriam sido provocadas pelo movimento dos caminhoneiros. "A recuperação não levou a indústria para o ponto onde estava antes da paralisação", diz o boletim. "É preciso ter cautela com os dados que mostram a recuperação de junho. Na verdade, não há motivos para comemorações", afirma Castelo Branco.

De acordo com o Fato Econômico, de abril para junho houve queda no nível de emprego (-0,3%), nas horas trabalhadas na produção (-0,5%), na massa salarial (-1,8%) e no rendimento médio (-2%). A utilização da capacidade instalada recuou 1,4 ponto percentual. O que aumentou foi o faturamento: 5,4%.

O Índice de Confiança do Empresário Industrial (Icei) está em 50,2 pontos, "praticamente em cima da linha divisória dos 50 pontos, que separa a confiança da falta de confiança". Uma das razões, segundo a CNI, está na discussão sobre o frete mínimo.

Nesse cenário, a CNI já revisou para baixo sua projeção sobre o Produto Interno Bruto (PIB) industrial de 2018. Dos 3% previstos no início do ano foi para 1,8%.

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