Especialista em China alerta: Brasil não é o único produtor de commodities

"Se você pegar o exemplo da América Latina por si só, existem outros países com essas commodities", diz Thomas Law, presidente do Instituto Sociocultural Brasil e China

(Foto: Xinhua)
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Sputnik – A relação Brasil-China ao longo do governo do presidente brasileiro Jair Bolsonaro está marcada por sobressaltos. Para debater os efeitos desse período a Sputnik Brasil ouviu Thomas Law, presidente do Instituto Sociocultural Brasil e China (Ibrachina), que ressaltou a relevância da relação comercial entre os países.

Ao longo do governo do presidente Jair Bolsonaro a abordagem em relação aos chineses está marcada por momentos de desconfiança que chegaram ao ápice durante a pandemia do novo coronavírus. Membros do governo, como o ministro da Educação, Abraham Weintraub, e também pessoas próximas do presidente, como seu filho, o deputado federal Eduardo Bolsonaro, fizeram críticas abertas à China.

Apesar de o governo brasileiro ressaltar que as relações comerciais com o país asiático seguem sendo muito importantes, a preocupação com os desdobramentos desse tratamento errático são latentes. Em entrevista publicada pelo UOL, o embaixador chinês no Brasil, Yang Wamming, pediu que os críticos à China levem em conta o histórico de bom relacionamento entre os países.

Thomas Law, presidente do Instituto Sociocultural Brasil e China (Ibrachina), responsável pela Coordenação Nacional das Relações Brasil e China na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e consultor da Frente Parlamentar dos BRICS no Congresso Nacional, chama a atenção para o possível impacto desses atritos nas relações comerciais entre Brasil e China. Law afirma que setores importantes dessa relação comercial, como o agronegócio, estão baseados em produtos que podem ser encontrados em outros países.

"Se você pegar o exemplo da América Latina por si só, existem outros países com essas commodities. Portanto, entendo que esse relacionamento não tem só a ver com a questão política, mas também com a questão comercial", afirma Thomas Law em entrevista à Sputnik Brasil.

O presidente do Ibrachina aponta ainda que as economias de Brasil e China são complementares, o que seria mais um fator positivo para que vigore uma boa relação entre os países. Além disso, o Brasil mantém um superávit nas relações comerciais com o país asiático.

"[...] o Brasil e a China são economias em que nenhum produto compete com o outro, e se você pegar o exemplo do ano passado, no fechamento do superávit da balança comercial, você vê que o Brasil teve um superávit de US$ 46 bilhões [cerca de R$ 225 bilhões]", aponta.

Law acredita que a relação é de interesse mútuo e que seria vantajoso para o Brasil garantir um diálogo saudável com a China.

"Isso significa que é um relacionamento de ganha-ganha e o Brasil tem muito a ganhar, porque está vendendo os seus produtos para fora e a China tem total interesse em manter esse relacionamento comercial e de amizade com o Brasil. Portanto, é uma parceria, uma visão de longo prazo de benefício mútuo entre os dois países", afirma.

Diante das rusgas criadas por membros do governo brasileiro em relação à China, Law aponta que acredita que vale mais a "relação de tempo e amizade entre os dois países", ressaltando a manutenção de órgãos binacionais entre brasileiros e chineses.

"Se levar em consideração os organismos que foram criados, como por exemplo o Cosban [Comissão Sino-Brasileira de Alto Nível de Concertação e Cooperação], o alto nível de concertação. A própria Cosban já fez muito trabalho, tem feito um importante diálogo entre os dois países e já tem realizado cooperações tecnológicas com a China. Além da Cosban a gente tem o CEBRI [Centro Brasileiro de Relações Internacionais], que tem feito um trabalho também de produzir material de pesquisa sobre os investimentos chineses no Brasil, bem como esse trabalho diplomático que o CEBRI tem feito junto a entidades diplomáticas chinesas", afirma.

Em 2019, Law esteve na comitiva que visitou a China ao lado do presidente brasileiro Jair Bolsonaro, e considera que o encontro entre a liderança brasileira e o presidente da China, Xi Jinping, foi importante. Para ele, o prestígio foi devolvido na visita do líder chinês ao Brasil durante a cúpula dos BRICS.

"Portanto vejo que é uma relação frutífera, é uma relação de amizade e que é pautada em uma relação pragmática", conclui.

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