Esther Dweck: as políticas para tirar o Brasil da crise estão nos afundando ainda mais

A professora de Economia e ex-secretária de orçamento do ministério do Planejamento durante o governo Dilma conversou com a TV 247 sobre a crise econômica brasileira; A economista explicou as causas da crise, comentou sobre a promessa de que a reforma da Previdência mudaria o cenário e apontou um caminho de melhora para o país

247 - Professora de Economia na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e ex-secretária de orçamento do ministério do Planejamento, durante o governo da ex-presidenta Dilma, Esther Dweck falou à TV 247 sobre a crise em que se encontra o Brasil. Ela explicou o motivo da crise, apontou caminho para a melhora da situação e comentou sobre a promessa de que a reforma da Previdência poderia dar um respiro ao país.

Dweck ressaltou que essa não é a maior crise enfrentada pelo brasileiros, porém, é diferente a reação do governo diante dela. “A gente está vivendo não a pior crise, talvez ela seja comparada em termos de queda a 80 e 29, mas está sendo a mais lenta recuperação de todas essas. Uma coisa que é muito claro para quem está estudando é que o que tem sido diferente em relação às outras é a maneira como o governo está reagindo a essa crise, principalmente as políticas que estão sendo feitas para tentar fazer o país sair da crise que são, na verdade, políticas que aprofundam mais a crise”.

A professora explicou que o processo que tem vivido o Brasil se assemelha ao Europeu, com a volta para a austeridade, ou seja, contenção de gastos. “O que a maior parte dos autores está falando lá e que se aplica perfeitamente ao Brasil? A diferença está na política fiscal, como o governo está reagindo a essa crise em relação a como os governos reagiram em outras crises da história mundial e brasileira também, a diferença é a volta para a austeridade”.

Esther Dweck diz que quando se propõe uma política de incentivo fiscal o resultado fiscal do país piora, o que é normal e esperado. Segundo ela, essa piora pressiona os países para que seja adotada a política de austeridade. “Toda vez que o governo dá estímulo fiscal o resultado fiscal piora, porque você está em uma crise, a arrecadação despenca e o governo continua gastando, isso vai fazer com que você tenha menos receita, mais gastos e seu resultado fiscal vai piorar. Começou uma pressão para os países começarem a fazer uma política de cortes de gastos, qual foi a consequência? A partir do momento em que começaram os cortes de gastos, sequencialmente países pararam de crescer. Essa é a que a gente chama política de austeridade, é uma política de retirar o Estado do papel de retomar o crescimento”.

A ex-secretária do orçamento lembra que o governo adotou, em 2016, um congelamento de gastos, o que piora ainda mais o cenário brasileiro, de acordo com Dweck. “Foi exatamente o que aconteceu no Brasil, só que piorado. A nossa crise teve um elemento muito mais interno nosso do que externo, a nossa crise foi justamente por já fazer uma política extremamente forte de corte de gastos e que depois, infelizmente, foi constitucionalizada no Brasil. A partir de 2016 foi aprovada uma mudança na Constituição no Brasil que impõe um teto de gastos, que na prática as pessoas chamaram de congelamento, não é congelamento, ela é um teto declinante de gastos. Se você não pode corrigir pelo crescimento do PIB, apenas pela inflação, significa que se a economia cresce o gasto não acompanha, então na verdade vai caindo o percentual do PIB, a população continua crescendo e o gasto público federal por habitante vai também caindo”.

Esther Dweck pontuou também que o Brasil age ao inverso do que deveria porque, não entendendo que o Estado é o único personagem econômico capaz de retirar o país da crise no momento, ele contém seus gastos por meio de leis e faz ainda mais cortes no orçamento. “O Brasil é o contrário, em vez de flexibilizar suas regras e pensar que é preciso ter mais atuação do Estado, foi feita no Brasil uma regra que proíbe completamente o governo de atuar diante de uma crise, ao contrário, ele vai fazendo cortes atrás de cortes”.

Ela ainda esclareceu que a promessa de que a reforma da Previdência irá, por meio da retirada do papel de contribuinte das empresas, alavancar a economia com investimentos do setor privado não acontecerá. “É só olhar o que está acontecendo com a capacidade ociosas das empresas no Brasil. O que é isso? As empresas têm lá sua planta instalada e elas estão usando, em média, 70% da capacidade que elas têm, esse número é o mais baixo da série histórica recente que vem desde 2001, desde 2001 a gente não tinha um nível tão baixo de ocupação da capacidade das empresas. Não adianta esperar que as famílias vão gastar e as empresas vão sair investindo”. 

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