Federação nacional mostra que lucro da Caixa é inflado por venda de ativos do banco público

Fenae revela, diferentemente do que direção da estatal noticia, que aumento do “lucro” da empresa se deve em grande parte à “política de desinvestimentos” adotada pela atual gestão do banco

(Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)
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Fenae - A Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa Econômica Federal (Fenae) analisou os dados divulgados sobre os resultados do banco no segundo trimestre. Diferentemente do que a direção da Caixa noticia, o aumento do “lucro” se deve em grande parte à chamada “política de desinvestimentos” adotada pela atual gestão da empresa; isto é, à venda de ações e à privatização de subsidiárias estratégicas para o país e a população.

“São resultados impulsionados, na verdade, pela venda de ativos do banco, que vai sendo esvaziado, desmontado, tendo o seu papel social comprometido em prejuízo aos brasileiros”, afirma o presidente da Fenae, Sergio Takemoto. “Mais do que nunca, especialmente em um contexto de pandemia e grave crise econômica, é necessário preservar e reforçar a importância da Caixa para o Brasil”, acrescenta.

De acordo com os números publicizados pela direção do banco nesta quinta-feira (19), a empresa registrou um lucro líquido de R$ 6,3 bilhões no segundo trimestre, valor que representa um salto de 144,7% em relação ao mesmo período do ano passado (R$ 2,6 bilhões). Considerando todo o primeiro semestre, o lucro líquido atingiu R$ 10,8 bilhões: aumento de 93,4% na comparação com os primeiros seis meses de 2020.

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Segundo a Caixa, foi o "maior lucro no segundo trimestre de toda série histórica do banco" e “o maior já registrado para um primeiro semestre. Porém, conforme esclarece a Fenae, tais resultados foram impactados, principalmente, pela venda de ações da subsidiária Caixa Seguridade (R$ 3,3 bilhões) e também do Banco Pan (R$ 1,9 bilhão). “Ou seja: os resultados se devem à venda de patrimônio público e não somente de operações do banco”, alerta Takemoto.

O presidente da Fenae pontua que, segundo levantamento feito em maio pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) em contraponto a dados utilizados pelo atual governo, a Caixa contabilizou, em valores atualizados, lucro líquido acumulado de R$ 41,3 bilhões e R$ 50 bilhões, respectivamente, durante os governos Lula (2003 a 2010) e Dilma (2011 a 2016). Já nos anos de 2019 e 2020, o lucro acumulado pelo banco, de R$ 35,1 bilhões, incluiu valores decorrentes da venda de ativos.

Em 2019, o resultado foi fortemente influenciado pela venda de Notas do Tesouro Nacional e de ações da Petrobras, do IRB Brasil (Instituto de Resseguros) e do Banco Pan, entre outras. Do lucro daquele ano, cerca de R$ 15 bilhões resultaram da entrega desses ativos. Já no ano passado, os resultados da Caixa foram impactados pelo IPO (Oferta Pública Inicial de ações) da Caixa Seguridade.

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Além das medidas de “desinvestimento” em ativos — que, segundo o presidente da Caixa, não são estratégicos para a estatal — Pedro Guimarães reforçou, ontem, os planos de privatização de outras áreas estratégicas e rentáveis do banco. Ele citou a venda da Asset [gestora], da bandeira de Cartões Elo e até do ainda nem oficialmente criado Banco Digital, estruturado para o pagamento do auxílio emergencial e de outros benefícios sociais à população.

Fundamental para as políticas de desenvolvimento e instrumento para de políticas anticíclicas, a Caixa mostra que pode atuar para que o país supere a crise. Quanto aos créditos para pessoas jurídicas, o crescimento foi de 61,1% em relação ao mesmo período de 2020, totalizando R$ 73,6 bilhões, principalmente nas linhas para micro e pequenas empresas, destacando o Pronampe, que desde o início do programa já contratou R$ 16,4 bilhões.

“A Caixa 100% pública comprova o quanto é imprescindível aos brasileiros e para o desenvolvimento do país; especialmente, durante toda a pandemia. Ela chega onde os bancos privados passam longe”, destaca Sergio Takemoto.

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Ao observar que a Caixa encerrou o primeiro semestre deste ano com 84.262 empregados [desde 2014, o banco público perdeu quase 20 mil trabalhadores], a coordenadora da Comissão Executiva dos Empregados (CEE/Caixa), Fabiana Uehara, afirma: “É lamentável constatar o esforço do governo federal para o enfraquecimento do patrimônio público, com uma postura completamente avessa ao forte papel social que a Caixa representa para o Brasil”. “Sabemos que por traz dos resultados alcançados pelo banco estão os esforços dos empregados, que se desdobram para dar conta de atender milhões de brasileiros”, emenda Takemoto.

EMPOBRECIMENTO DA SOCIEDADE — O presidente da Fenae também chama a atenção para outro dado divulgado nesta quinta-feira: em um ano, os empréstimos tiveram incremento de 13,4%. A pessoa física foi o destaque, com crescimento de 4% no trimestre, enquanto a pessoa jurídica avançou 0,5%.

“O aumento da concessão de crédito e da inadimplência reflete a má situação econômica do país”, ressalta. “Com o país quebrado, as pessoas recorrem aos empréstimos para sobreviverem e não para fazerem investimentos, como a direção da Caixa tenta passar tal impressão”, completa Takemoto.

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Segundo o banco, piorou o índice de inadimplência da Caixa [considerando atrasos superiores a 90 dias], chegando a 2,46% no segundo trimestre contra 2,04% no primeiro. As provisões para perdas associadas ao risco de crédito tiveram acréscimo de 6,27% no período, totalizando R$ 5,1 bilhões.

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