Ganhador do Nobel diz que Covid-19 fez os EUA parecerem 'um país do 3º mundo'

"É como um país do terceiro mundo. A rede pública de segurança social não está funcionando", declarou Joseph Stiglitz, vencedor do Prêmio Nobel, ao jornal The Guardian

Joseph Stiglitz
Joseph Stiglitz (Foto: Christian Hartmann/REUTERS)
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Sputnik - A pandemia do novo coronavírus fez os EUA parecerem um país em desenvolvimento, já que milhões ficaram sem garantias de segurança social em meio a calamidades econômicas, disse o economista Joseph Stiglitz, vencedor do Prêmio Nobel, ao jornal The Guardian.

"Os números voltados para os bancos de alimentos são enormes e estão além da capacidade deles de suprir. É como um país do terceiro mundo. A rede pública de segurança social não está funcionando", declarou Stiglitz na entrevista publicada nesta quarta-feira (22).

Um crítico de longa data do presidente dos EUA, Donald Trump, Stiglitz avaliou que as políticas republicanas podem levar os EUA rumo a uma outra Grande Depressão, referindo-se ao período posterior à quebra da Bolsa de Nova York, em 1929.

"Se você deixar Donald Trump e Mitch McConnell [líder da maioria republicana no Senado], teremos uma Grande Depressão. Se tivéssemos a estrutura política correta, poderíamos evitá-la facilmente", comentou Stiglitz ao jornal britânico.

Segundo as estimativas de Stiglitz, 14% da população dos EUA, quase 46 milhões, dependem de vale-refeição para sobreviver, enquanto a possível taxa de desemprego de 30% levará a economia a ficar de joelhos.

O ganhador do Prêmio Nobel continuou enfatizando a importância do multilateralismo necessário para derrotar a pandemia.

"O combate às pandemias globais e às mudanças climáticas exige cooperação global. Espero que deixemos esse período com a perspectiva de que o multilateralismo seja ainda mais importante do que pensávamos. Não pode ser apenas uma globalização orientada para as empresas. Temos que torná-lo mais resiliente", enfatizou Stiglitz.

Nesta quarta-feira, as estatísticas da COVID-19 dos EUA se elevavam acima do resto do mundo, com mais de 45 mil pessoas mortas em mais de 826 mil casos confirmados.

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