Goiânia faz lei sob medida para a Hypermarcas

Em sessão marcada por protestos nas galerias e com presença até da polícia, base de apoio do prefeito Paulo Garcia, sob comando do presidente da Câmara, Clécio Alves, aprova mudança no Plano Diretor de Goiânia para legalizar obra a empresa Hypermarcas, que construiu de forma irregular unidade em área de preservação; empresa contribuiu em 2010 com R$ 1 milhão para a campanha do ex-prefeito Iris Rezende (PMDB), padrinho político do prefeito e do presidente da Câmara

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Goiás 247 - Nem mesmo os protestos de estudantes da Universidade Federal de Goiás (UFG), organizações sociais, vereadores de oposição e, claro, o clamor público, foram capazes de barrar o rolo compressor do Paço Municipal pela aprovação de alterações no Plano Diretor da Capital em benefício de obra da empresa Hypermarcas na Região Norte. A revisão da lei urbanística foi aprovada (24 a 7) em segunda votação na Câmara Municipal na manhã desta quinta-feira, 25. Estudantes e moradores da região mais afetada pelas mudanças fizeram muito barulho nas galerias e a polícia foi chamada para evitar a invasão do Plenário.

O principal opositor do projeto, com duras críticas ao correligionário Paulo Garcia, prefeito de Goiânia, é o vereador Djalma Araújo (PT). Ele representa a Região Norte e está revoltado com as alterações no Plano Diretor. “A Hypermarcas doou R$ 1 milhão para a campanha de Iris Rezende em 2010. É muita coincidência este projeto ser aprovado para essa empresa. Não existe coincidência na política”, desabafou Djalma no plenário da Câmara.

O presidente da Câmara, Clécio Alves (PMDB), é afilhado político de Iris e foi um dos principais defensores da obra da Hypermarcas. Clécio e Djalma a travaram duelos pesados no plenário por conta do projeto que beneficia o setor imobiliário. A base aliada do prefeito Paulo Garcia ainda é acusada de atropelar audiências públicas e recomendações do Ministério Público, do Crea, da OAB-GO, da UFG e ONGs por mais discussão e pela rejeição do projeto.

O principal motivo das queixas das entidades é que a prefeitura sequer apresentou os estudos técnicos e de impacto ambiental que embasassem o projeto de revisão do Plano Diretor, que e a lei máxima que regula o ordenamento urbano de Goiânia.

Protestos

A vereadora Dra. Cristina (PSDB) perdeu a paciência com as ações do Paço. "É um momento vergonhoso para Goiânia". “Onde estão os estudos técnicos que subsidiam as mudanças? Onde está o slogan da sustentabilidade? Foi só para campanha. O slogan agora é 'eu quero e façam'", disse a vereadora tucana.

“O que está acontecendo nessa Casa é um crime contra o cidadão, um crime contra a população. Mostrem a competência técnica desse Plano Diretor!”, bradou Cristina.

A pressa da prefeitura em aprovar a revisão do Plano Diretor foi tão grande que a matéria iria ser votada sem audiências públicas. Elas só aconteceram por pressão de moradores da Região Norte e do vereador Djalma. Assim mesmo foram apenas três debates onde foram apontadas diversas irregularidades na matéria do Paço. 

Djalma Araújo afirmou que não vai "parar de lutar" e que vai à Justiça tentar derrubar o projeto. O vereador Elias Vaz (PSol) também foi duro nas críticas: "O poder econômico de sobrepôs ao interesse da sociedade".

Polícia e tumulto

A sessão desta manhã foi marcada pelo clima de tensão. Estudantes da UFG ocuparam as galerias da Câmara e protestaram intensamente contra a provação do projeto. O presidente Clécio Alves pediu a presença da Rotam e do Batalhão Choque para, segundo ele, “ser mantida a ordem na Casa”.

A oposição protestou, mas agentes policiais se postarm o tempo todo no Planário da Câmara.

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