Governo Bolsonaro assume de vez a agenda ruralista

Sequência de atitudes e intenções anunciadas aponta que o presidente eleito fará um governo à medida para o agronegócio: perdão das dívidas do setor com o Funrural, um presente de R$ 17 bilhões; seguidos ataques aos sem terra e indígenas, considerados inimigos dos fazendeiros; entrega do Ministério do Meio Ambiente a um representante dos ruralistas, Ricardo Salles; nomeação de Nabhan Garcia, presidente da UDR (União Democrática Ruralista), como secretário de Assuntos Fundiários; a notícia mais recente dá conta de que os ruralistas poderão emitir suas próprias licenças ambientais

Governo Bolsonaro assume de vez a agenda ruralista
Governo Bolsonaro assume de vez a agenda ruralista

247 - Jair Bolsonaro está sinalizando seguidamente que seu governo será feito à medida para os ruralistas. Há uma sequência impressionante de atitudes e intenções anunciadas: perdão das dívidas do setor com o Funrural, um presente de R$ 17 bilhões sobre o qual pairam sérias dúvidas quanto à legalidade; seguidos ataques aos sem terra e indígenas, considerados inimigos dos fazendeiros; entrega do Ministério do Meio Ambiente para um representante dos ruralistas, Ricardo Salles; nomeação de Nabhan Garcia, presidente da UDR (União Democrática Ruralista), que congrega os setores mais reacionários do campo, como secretário de Assuntos Fundiários, responsável pelo tema da reforma agrária -que deverá desaparecer da agenda do Estado brasileiro.

A última notícia sobre os movimentos pró-ruralistas do futuro governo é a nomeação do advogado Eduardo Fortunato Bim, nome ligado aos ruralistas, para presidir o Ibama. Ele já disse a que veio. Em sua primeira entrevista anunciou que os ruralistas poderão emitir suas próprias licenças ambientais de forma automática, por meio de um sistema eletrônico (aqui).

Ricardo Salles deve ficar à frente do ministério do Meio Ambiente mesmo tendo sido condenado por improbidade administrativa. O juiz que o condenou considerou que em 2016, quando era secretário do Meio Ambiente do governo Geraldo Alckmin, em São Paulo, Salles modificou os mapas de zoneamento e a minuta de instrumento normativo (decreto) que institui o plano de manejo da Área de Proteção.

Causou espanto quando, durante uma festa com ruralistas e cantores sertanejos, em 11 de dezembro, disse num vídeo para Instagram de um animador de rodeios: "Vocês gostaram do ministro do Meio Ambiente agora, né? Com toda certeza" (aqui). Por sua missão legal, o ministro do Meio Ambiente deve fiscalizar, coibir e restringir as ações dos ruralistas, madeireiros, mineradores e outros que agridem o ambiente. Na festa, ele celebrou alegremente que a raposa foi colocada para cuidar do galinheiro. Assista:

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