Guedes diz que dólar deveria estar entre R$ 3,80 e R$ 4,20, mas insinua que Bolsonaro não deixa

Segundo ele, o dólar só está tão alto, causando inflação, em razão do "barulho político", que é causado por Jair Bolsonaro

Dólar e o ministro da Economia, Paulo Guedes
Dólar e o ministro da Economia, Paulo Guedes (Foto: Reuters | Wilson Dias/Agência Brasil)
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BRASÍLIA (Reuters) - O câmbio de equilíbrio deveria estar hoje entre 3,80 reais e 4,20 reais, avaliou nesta terça-feira o ministro da Economia, Paulo Guedes, ressalvando que o barulho político não deixa a moeda norte-americana cair.

Enquanto isso não acontece, não há problema porque as exportações acabam se beneficiando, indicou ele, ao participar do evento MacroDay 2021, promovido pelo banco BTG Pactual.

"Estamos indo para meio trilhão (de dólares) de corrente de comércio com o mundo, isso nunca aconteceu antes. Cem bilhões de dólares na balança comercial, isso nunca aconteceu antes", disse.

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"Esse dólar já era para estar descendo, mas o barulho político não deixa descer. Não tem problema. É mais tempo para as exportações", afirmou.

O dólar fechou esta terça-feira em alta de 0,68%, a 5,2589 reais, mais de 1 real acima do patamar máximo de equilíbrio indicado pelo ministro. A alta da moeda norte-americana é um dos fatores que tem contribuído para o forte avanço da inflação no país, encarecendo produtos cotados segundo seu preço internacional, como combustíveis.

Sobre a questão política, Guedes voltou a expressar confiança na democracia e nas instituições brasileiras, pontuando que há excessos, mas numa realidade em que os agentes --incluindo o presidente Jair Bolsonaro-- não extrapolam limites.

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"O Brasil é uma democracia resiliente, robusta, sofisticada. Os atores cometem os excessos, às vezes o presidente sai do cercado, às vezes um ministro do Supremo prende pessoas, toda hora tem um que pula fora da cerca e dá um passeio no lado selvagem", disse.

"O que acontece rapidamente? As instituições se aperfeiçoam e convidam o cidadão a voltar para o cercadinho", completou.

PRECATÓRIOS

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O ministro também defendeu que a ideia de limitar o crescimento dos precatórios à regra do teto abriria caminho para o governo fazer um Bolsa Família como estava planejado antes, com benefício de 300 reais, indicando que esta é a "prioridade zero" no momento.

"Então estamos lutando por isso", afirmou Guedes em referência à chamada solução CNJ (Conselho Nacional de Justiça).

Hoje, o benefício médio do programa de transferência de renda é de cerca de 190 reais.

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Guedes indicou que o governo irá se empenhar tanto no avanço da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) dos precatórios, que prevê o parcelamento do pagamento pela União das derrotas judiciais sofridas em definitivo na Justiça, como na solução CNJ.

Alinhavada junto ao Supremo Tribunal Federal (STF), esta saída limita o pagamento dos precatórios num ano pela mesma dinâmica da regra do teto de gastos. Com isso, essa conta passaria a crescer somente pela inflação medida pelo IPCA nos 12 meses até junho do ano anterior. O montante que excedesse o limite de pagamento em precatórios num ano seria diferido para o exercício seguinte, criando uma espécie de fila para o recebimento dos valores, sendo que a prioridade seria dada pela ordem de chegada.

"A prioridade zero é Bolsa Família 300 reais, presidente já disse 300 reais, dentro do teto, com responsabilidade fiscal", afirmou Guedes.

"Vamos trabalhar pela via do Judiciário, pela via do Legislativo, quem chegar primeiro ganha a taça de 'estou ajudando o Brasil", completou ele.

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