Ibovespa cai 1,3% com investidores preocupados com coronavírus e atentos ao PIB da China

Mercado termina o dia com perdas diante do aumento na insegurança acerca do combate da pandemia

(Foto: Reuters)
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Infomoney - O Ibovespa fechou em queda nesta quinta-feira (16) na contramão das bolsas internacionais pressionado pela preocupação dos investidores a respeito dos desdobramentos da crise do coronavírus por aqui. De acordo com o Ministério da Saúde, o número de infectados no País já atingiu 30.425 e foi para 1.924 a quantidade de mortos pela doença.

Além disso, o noticiário ainda foi marcado pela demissão do ministro da Saúde, Henrique Mandetta, após semanas de rumores. A Bolsa também refletiu o pessimismo da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) acerca do futuro.

Segundo Carlos Daltozo, analista da Eleven Financial Research, apesar de ser uma má notícia, a demissão de Mandetta não trouxe tanto impacto no mercado hoje como ocorreu na segunda-feira passada. Isso porque as idas e vindas na dispensa do ministro na semana passada deixaram o investidor preparado para o que ocorreria.

“O fato já foi precificado depois do demite/não demite. Não houve surpresa que pudesse ensejar um movimento mais forte de compras ou vendas”, afirma. Para ele, o principal sinal negativo dado pela demissão é a crise institucional que ronda o Palácio do Planalto. “O presidente está em conflito com ministros, Congresso e [Supremo Tribunal Federal] STF. Esse ambiente político influencia os negócios”, destaca.

Daltozo ainda lembrou que hoje às 23h (horário de Brasília), a China divulgará seus números do Produto Interno Bruto (PIB) no primeiro trimestre de 2020, o que deve revelar o tamanho do estrago provocado pela Covid-19 na segunda maior economia do mundo. “Esperamos ver o real impacto na China. É um dado já um pouco enfraquecido porque diversos países estão com um número de infectados maior, mesmo o país tendo sido o epicentro da doença. No entanto, é importante acompanhar para ter mais clareza sobre o cenário atual”, avalia.

As estimativas de consenso, conforme aponta a Bloomberg, apontam para uma queda de 6% da atividade chinesa no período encerrado em março.

Com tudo isso, o Ibovespa registrou baixa de 1,29%, aos 77.811 pontos com volume financeiro negociado de R$ 20,99 bilhões. De um ponto de vista técnico, mais uma vez o benchmark corrigiu depois de encostar na resistência dos 80 mil pontos, que já está se consolidando como teto psicológico do mercado. Leia aqui os principais destaques de ações deste pregão.

Já o dólar futuro para maio tem alta de 0,14% a R$ 5,256, enquanto o dólar comercial registrou ganhos de 0,27%, a R$ 5,2554 na compra e R$ 5,2565 na venda.

No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2022 caiu quatro pontos-base a 3,66%, o DI para janeiro de 2023 teve queda de 12 pontos-base a 4,60% e o DI para janeiro de 2025 recuou 17 pontos-base a 6,10%.

Pela manhã, a Bolsa chegou a subir porque diversos países estão reabrindo os negócios aos poucos após a quarentena imposta por conta do coronavírus. A Dinamarca começou a reabrir suas escolas na quarta-feira e o presidente americano, Donald Trump, fará uma coletiva de imprensa daqui a pouco para falar sobre seu plano de como sair do lockdown.

As iniciativas de Trump sobre o coronavírus, como ordenar que governadores reabram seus estados, esbarram em limites dos poderes presidenciais. No entanto, presidente americano disse que vai revelar diretrizes para relaxar as regras de isolamento, citando dados que mostrariam que o surto está encontrando um platô em partes do país.

Segundo a universidade John Hopkins o número de pessoas infectadas pela doença no mundo atingiu 2 milhões, com um saldo de 134 mil mortes.

Radar político

O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu ontem que estados e municípios podem tomar as medidas que acharem necessárias para combater o novo coronavírus, como isolamento social, fechamento do comércio e outras restrições. Com a decisão, os governadores e prefeitos também poderão definir os serviços essenciais que podem funcionar durante o período da pandemia. O ministro Gilmar Mendes disse que a Constituição de 1988 veda ao presidente “adotar política de caráter genocida”.

Já o Senado aprovou em 1º turno texto- base da PEC do orçamento de guerra, que visa facilitar o aumento de gastos pelo governo federal para enfrentar a pandemia do coronavírus e amplia a caixa de ferramentas do BC. A votação em 2º turno será sexta-feira. A PEC precisará voltar à Câmara, onde havia sido aprovada no início do mês, porque senadores alteraram texto para restringir possibilidade de o Banco Central comprar títulos privados.

Bancos preparam pacote

Os bancos preparam um pacote para os setores empresariais mais atingidos pelos efeitos da epidemia do coronavírus, informa reportagem do jornal O Estado de S. Paulo. O valor final ainda não foi fechado, mas deve ficar ao redor de R$ 50 bilhões.

Empresas de energia, companhias aéreas e a cadeia automotiva devem ser atendidas com prioridade, através de um consórcio de bancos liderado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e que conta com a participação do Itaú Unibanco, Banco do Brasil, Bradesco e Santander Brasil. Dois ou três bancos de menor porte devem aderir.

O varejo – à exceção de supermercados e farmácias – também será contemplado. Segundo fontes, o socorro ao setor elétrico é o que está mais avançado e é estimado entre R$ 15 bilhões e R$ 18 bilhões. A indústria automotiva deverá contar com R$ 20 bilhões. O presidente do Bradesco, Octávio de Lazari, disse ontem ao Estadão que “ninguém quer ver empresa quebrar”.

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