Ibovespa cai mais de 2%; dólar encosta em R$ 4

Ibovespa opera em queda nesta segunda-feira (13) seguindo o exterior, com as bolsas internacionais pressionadas pelas notícias de que a nova rodada de negociações entre China e Estados Unidos para um acordo comercial fracassou; às 14h08 o principal índice da B3 tinha baixa de 2,4% a 92.005 pontos; já dólar comercial tem alta de 0,99% a R$ 3,9816 na compra e a R$ 3,9834 na venda

Ibovespa cai mais de 2%; dólar encosta em R$ 4
Ibovespa cai mais de 2%; dólar encosta em R$ 4 (Foto: Paulo Whitaker/Reuters)

Do Infomoney - O Ibovespa opera em queda nesta segunda-feira (13) seguindo o exterior, com as bolsas internacionais pressionadas pelas notícias de que a nova rodada de negociações entre China e Estados Unidos para um acordo comercial fracassou. No Twitter, o presidente norte-americano, Donald Trump, voltou a apresentar uma retórica de confronto, ao mesmo tempo em que a China já anunciou que irá retaliar com a elevação de tarifas sobre produtos americanos.

Às 14h08 (horário de Brasília) o principal índice da B3 tinha baixa de 2,4% a 92.005 pontos, tendo batido 91.761 pontos na mínima. Enquanto isso, o dólar comercial tem alta de 0,99% a R$ 3,9816 na compra e a R$ 3,9834 na venda. Já o dólar futuro com vencimento em junho sobe 0,88% a R$ 3,993, tendo batido R$ 4,006 na máxima.

O mercado de juros futuros responde com alta às tensões. O DI para janeiro de 2021 sobe três pontos-base a 6,92%, enquanto o DI para janeiro de 2023 avança cinco pontos-base a 8,06%.

Pelo Twitter, Trump escreveu que algumas pessoas simplesmente não entendem que o crescimento inesperado de 3,2% no Produto Interno Bruto (PIB) dos Estados Unidos no primeiro trimestre aconteceu em grande parte por conta das tarifas contra a China.

Além disso, o Trump avisou ao presidente chinês, Xi Jinping, que caso o acordo não saia a China sairá muito prejudicada, pois "empresas serão forçadas a deixar o país". "Ficará caro demais comprar da China. Vocês tinham um grande acordo e quase completo, mas deram para trás", postou.

Segundo o assessor da Casa Branca, Larry Kudlow, Pequim convidou Washington a seguir com as negociações e informou que Trump e o presidente da China, Xi Jinping, devem conversar diretamente durante reunião do G-20, no Japão, no fim do próximo mês.

O Ministério das Finanças da China anunciou em comunicado nesta segunda-feira que imporá tarifas sobre US$ 60 bilhões em produtos americanos a partir de 1º de junho. O governo de Pequim afirma que a tarifa americana sobre US$ 200 bilhões em produtos chineses, que entrou em vigor na última sexta-feira, representa uma "escalada nas fricções econômicas e comerciais" entre os países, "contrária ao consenso entre a China e os Estados Unidos de resolver as diferenças comerciais por meio de consultas", por isso a reação.

O comunicado oficial chinês diz que as novas tarifas do país abrangerão cerca de US$ 60 bilhões em produtos americanos, com tarifas de até 25%. Sobre 2.493 produtos, haverá tarifa de 25%; sobre 1.078, a tarifa será de 20%; sobre outros 974 itens, de 10%; e sobre 595 itens, de 5%. São, portanto, afetados mais de 5 mil produtos americanos nesse anúncio chinês.

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No Brasil, o presidente Jair Bolsonaro concedeu entrevista à rádio Bandeirantes ontem, afirmando que pediu ao ministro da Economia Paulo Guedes que corrija a tabela do imposto de renda de acordo com a inflação no ano que vem. O presidente afirmou ainda que pretende indicar o ministro da Justiça, Sérgio Moro, para a próxima vaga no Supremo Tribunal Federal.

Relatório Focus

A projeção para o avanço do PIB brasileiro em 2019 foi cortada de 1,49% para 1,45% na mediana das projeções dos economistas consultados pelo Banco Central no Relatório Focus. Há quatro semanas, a previsão era de crescimento de 1,95%.

As expectativas para a inflação oficial medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), por outro lado, ficaram estáveis novamente em 4,04%.

A taxa de câmbio esperada no fim do ano é de R$ 3,75 para US$ 1,00 e a previsão para a taxa básica de juros da economia brasileira, a Selic, é de 6,5% ao ano.

Bolsas Internacionais

As bolsas globais operam em queda diante da confirmação, por ordens de Trump, do aumento das tarifas de importação e do fim da 11ª rodada de negociações comerciais entre autoridades americanas e chinesas sem conclusão após encontro, em Washington, entre os representantes de Comércio dos EUA, Robert Lighthizer, e do secretário do Tesouro norte-americano, Steven Mnuchin, com o vice-primeiro-ministro da China Liu He. De acordo com a agência estatal chinesa Xinhua, há três grandes pontos de discordância entre os dois lados durante as negociações comerciais.

O presidente Trump ressaltou ainda que a China deveria agir com celeridade para firmar um acordo com os americanos. "O acordo se tornará muito pior para eles se tiver que ser negociado no meu segundo mandato. Seria sensato para eles agirem agora", disse, reforçando que os "melhores números na economia e no emprego da história dos Estados Unidos" devem levá-lo a reeleição em 2020. Segundo Trump, os chineses podem esperar pelas eleições de 2020 para ver se têm "a sorte" de "uma vitória democrata".

Entre os indicadores asiáticos, o destaque fica pela retração das vendas do setor automotivo na China, que recuaram 14,6% em abril na comparação com o mesmo mês do ano passado, no décimo mês consecutivo de quedas. Apenas o segmento de carros registrou retração de 17,7% no mesmo período.

Na Europa, os principais índices acionários operam predominantemente em baixa. Apenas a bolsa da Alemanha fica entre perdas e ganhos.

Nas commodities, os preços do petróleo apresentavam valorização, refletindo a guerra comercial entre EUA e China. Além disso, a Arábia Saudita disse hoje que dois petroleiros sauditas estavam entre os navios alvos de um "ataque de sabotagem" na costa dos Emirados Árabes Unidos.

Já o minério de ferro registrava valorização de 1%, após executivos da Vale afirmarem na sexta-feira que a empresa só deverá recuperar o patamar de produção de 400 milhões de toneladas em "dois ou três anos".

Noticiário corporativo

A Petrobras (PETR3; PETR4) iniciou a fase não vinculante de venda das ações da Liquigás Distribuidora. Segundo a empresa, nesta etapa, os interessados que tiverem assinado o Acordo de Confidencialidade receberão um memorando descritivo contendo informações mais detalhadas sobre os ativos, além de instruções sobre o processo de desinvestimento, incluindo as orientações para elaboração e envio das propostas não vinculantes. A estatal diz ainda que revisou os requisitos de compliance para a admissão de participantes, e por isso potenciais investidores que atendam aos critérios de elegibilidade poderão manifestar interesse na transação até o dia 17 de maio.

Ainda sobre a petroleira, a companhia espera concluir a venda de oito refinarias de petróleo e da infraestrutura logística associada a elas em 2021. Segundo o Estadão, à medida que as negociações avançarem, as unidades vão ser transformadas em empresas independentes, que poderão contratar os empregados da estatal. A publicação informa que, mesmo com a venda de oito refinarias, a Petrobrás continuará dominando o setor, uma atividade considerada estratégica. A diferença é que os investimentos, após a venda dos ativos, serão focados nas unidades da Região Sudeste, onde estão localizados os grandes campos produtores de petróleo e gás natural, nas Bacias de Campos e Santos.

O Carrefour (CRFB3) informou que, diante de uma decisão desfavorável do Supremo Tribunal Federal (STF), a companhia revisou a probabilidade de êxito de uma série de processos judiciais que tratam sobre o estorno parcial dos créditos de ICMS relacionados a produtos da cesta básica. Em comunicado à CVM, à varejista diz ter decidido, "em uma abordagem cautelosa", realizar uma provisão integral do valor envolvido nestes processos. O valor total das autuações recebidas e não provisionadas sobre esse caso chegava a R$ 815 milhões.

O Burger King (BKBR3) reportou um lucro líquido de R$ 3,05 milhões entre janeiro e março, cifra 65,4% inferior a registrada no mesmo período do ano passado. O Ebitda, por sua vez, subiu 136%, para R$ 86 milhões. A receita somou R$ 665 milhões, um avanço de 38%.

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