Ibovespa fecha em queda de 1,4%; dólar vai a R$ 5,24

Mercado teve um dia negativo diante de dados fracos dos Estados Unidos e relatório sobre o petróleo

Bolsa de Valores de São Paulo
Bolsa de Valores de São Paulo (Foto: REUTERS/Paulo Whitaker)
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Infomoney - O Ibovespa fechou em queda nesta quarta-feira (15) seguindo o exterior em meio a dados fracos nos Estados Unidos que expõem o tamanho do impacto do coronavírus na maior economia do mundo. Os índices Dow Jones, S&P 500 e Nasdaq caíram entre 1,4% e 2,2%.

As vendas do varejo nos Estados Unidos tiveram uma retração de 4,5% em março. A queda foi maior que a expectativa de um recuo de 2,50% pelo mercado. Além de vendas no varejo, o indicador Empire State Manufacturing registrou baixa muito maior que a estimada. Indicador foi de -78,2 ante estimativa de -35 em abril.

O Livro Bege do Federal Reserve mostrou que a economia americana contraiu profundamente em todas as regiões, devido ao isolamento social promovido para conter o espalhamento do coronavírus. Empresas “relataram perspectivas muito incertas, e a maioria espera que as condições piorem nos próximos meses”, revelou o documento.

Por fim, a produção industrial da maior economia do mundo também decepcionou, com contração de 5,4% em março, ante expectativa mediana de queda de 4%. No mês anterior a produção havia crescido 0,5%. A utilização de capacidade instalada caiu de 77% para 72,7% no mês passado.

O Ibovespa registrou queda de 1,36%, aos 79.344 pontos com volume financeiro negociado de R$ 79 bilhões, impulsionado pelo vencimento de opções sobre o índice. Com a queda de hoje, após o benchmark “bater na trave” na véspera e fechar em 79.918 pontos, novamente a Bolsa se distanciou dos 80 mil pontos. Leia aqui os destaques de ações deste pregão.

Já o dólar futuro para maio tem alta de 1,53% a R$ 5,246, enquanto o dólar comercial avançou 0,99%, a R$ 5,2409 na compra e R$ 5,2424 na venda.

No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2022 subiu 10 pontos-base a 3,73%, o DI para janeiro de 2023 teve alta de quatro pontos-base a 4,75% e o DI para janeiro de 2025 ganhou um ponto-base a 6,32%.

Outro driver da sessão foi o relatório da Agência Internacional de Energia (AIE), que previu uma queda recorde na demanda do petróleo por conta do coronavírus. O barril do Brent caiu 5,41% a US$ 28,00 e o barril do WTI recuou 0,75% a US$ 19,96. Contudo, as ações de empresas dos setores de varejo e educação viram para alta, limitando as perdas do principal índice acionário da B3.

Na China, o Banco do Povo cortou a sua taxa interbancária de juros de 3,15% para 2,95% ao ano, o que foi visto como um sinal de que a economia chinesa precisará de mais estímulos para voltar a crescer de maneira sustentada.

Por aqui, a expectativa fica pela votação do chamado “orçamento de guerra” pelo Senado. As deliberações ocorrem em meio a relatos de que as tensões aumentaram entre o presidente da República, Jair Bolsonaro, e o Legislativo, em meio a divergência sobre o tamanho da ajuda que deve ser dada aos estados.

Segundo o jornal O Estado de S. Paulo e a coluna painel, da Folha de S. Paulo, o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, avisou sua equipe que deve ser demitido. Ele teria admitido um erro estratégico ao expor o governo em entrevista ao Fantástico e deve tentar nos próximos dias sair do foco da crise.

Provisoriamente ficaria em seu lugar o número 2 da pasta, João Gabbardo, permitindo uma troca menos polêmica do que a nomeação de Osmar Terra (MDB-RS) para o cargo. Gabbardo tem bom relacionamento com o ministro da Cidadania, Onyx Lorenzoni, e fez campanha para Bolsonaro em 2018.

Hoje pela manhã, o secretário de Vigilância em Saúde, Wanderson Oliveira, pediu demissão, mas as notícias do fim desta tarde dão conta de que Mandetta recusou a dispensa, afirmando que ele e os secretários que o auxiliam entraram juntos no ministério e sairão juntos. “Entramos no ministério juntos, estamos no ministério juntos e sairemos do ministério juntos”, disse.

Covid-19

O aumento dos casos de coronavírus no Estado de São Paulo faz com que leitos da UTI nas alas reservadas para pacientes da Covid-19 ocupem por volta de 80% da capacidade em alguns hospitais da capital paulista, informa a Folha de S. Paulo. Havia 1.042 pessoas em terapia intensiva ontem.

São Paulo registrou novo recorde de mortes pelo coronavírus, 87 em 24 horas – no total, eram 695 óbitos no Estado na noite de ontem. O Hospital Santa Maggiore Higienópolis está com 83% dos leitos da UTI ocupados, seguido pelo Hospital das Clínicas (77%), Hospital Municipal Tatuapé (77%), Conjunto Hospitalar Mandaqui (76%) e Santa Casa (71%).

Segundo o infectologista David Uip, o aumento demonstra que ainda não se chegou ao pico da pandemia em São Paulo. “O sistema está sendo colocado à prova no seu limite”, afirmou.

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