Ibovespa fecha em queda e dólar vai a R$ 5,59

Índice passou boa parte da sessão acima de 80 mil pontos, mas não conseguiu sustentar os ganhos de 2% com esta combinação de fatores

Operador do mercado de ações em meio à pandemia do coronavírus. 27/3/2020.
Operador do mercado de ações em meio à pandemia do coronavírus. 27/3/2020. (Foto: REUTERS/Kai Pfaffenbach)
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Infomoney - O Ibovespa amenizou os ganhos na reta final do pregão desta terça-feira (5) chegando a zerar a alta por um breve momento após as bolsas americanas perderem força e a imprensa divulgar o depoimento prestado pelo ex-ministro da Justiça, Sergio Moro, à Polícia Federal no último sábado.

De acordo com o documento, ele afirmou que o presidente Jair Bolsonaro pediu em fevereiro, por mensagem de celular, para indicar um novo superintendente para a PF no Rio de Janeiro.

“A mensagem tinha, mais ou menos o seguinte teor: ‘Moro você tem 27 Superintendências, eu quero apenas uma, a do Rio de Janeiro'”, disse o ex-ministro de acordo com informações obtidas pela CNN Brasil e TV Globo. Apesar do teor das acusações, Moro não afirmou que Bolsonaro teria cometido crime, dizendo que esta decisão cabe aos investigadores.

O ex-ministro afirmou que conversou com Maurício Valeixo sobre trocar o comando no RJ e que ambos “até aventaram a possibilidade de atender ao Presidente para evitar uma crise”. Mas Valeixo disse que, neste caso, não poderia permanecer no cargo.

Moro ainda ressaltou que “não nomeou e não era consultado” sobre o comando desses órgãos regionais, e que a escolha era exclusiva de Valeixo. O ex-ministro diz que não opinou nem na superintendência do Paraná, estado onde foi juiz.

Apesar de ter chegado a zerar os ganhos, o benchmark da bolsa voltou a ganhar força, fechando com alta de 0,75%, aos 79.470 pontos, com volume financeiro de R$ 19,806 bilhões. Nos EUA, o Dow Jones fechou com ganhos de 0,56%, após chegar a subir quase 2% durante a tarde.

Enquanto isso, o dólar comercial ganhou força no fim, encerrando com valorização de 1,23%, cotado a R$ 5,5889 na compra e R$ 5,5902 na venda. O dólar futuro para junho sobe 0,62%, para R$ 5,587.

Já no mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2022 caiu 11 pontos-base em 3,56%, enquanto o DI para janeiro de 2023 teve queda de 13 pontos, para 4,78%. O contrato para janeiro de 2025 recuou 6 pontos-base a 6,57%.

A queda dos DIs ocorreu após o IBGE divulgar a produção industrial brasileira, com uma forte queda de 9,1% em março. Foi o pior resultado para meses de março da série histórica da pesquisa, iniciada em 2002, além de ser a pior queda desde maio de 2018.

Os preços do petróleo subiram hoje. O barril do petróleo americano WTI avançou 20%, para US$ 24,55, enquanto o barril do Brent teve incremento de 14,5%, para US$ 31,14. A expectativa é de que a retomada da economia nos países da Ásia e da Europa aumente a demanda pela commodity.

A percepção de que a economia mundial deve melhorar foi alimentada, ontem, por relatórios dos bancos americanos Goldman Sachs e Morgan Stanley. Os sinais são de que a recuperação no 2º trimestre, contudo, ocorre na Ásia; apenas a partir do 3º trimestre deverá se espalhar para a Europa e os Estados Unidos.

Agenda econômica

Na agenda econômica, os preços na cidade de São Paulo tiveram deflação de -0,30% na última quadrissemana de abril, informou na manhã de hoje a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), ante estimativa de deflação de 0,15%.

Enquanto isso, a produção industrial brasileira desabou 9,1% em março, na comparação com fevereiro, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Foi o pior resultado para meses de março da série histórica da pesquisa, iniciada em 2002, além de ser a pior queda desde maio de 2018, quando caiu 11% por conta da greve dos caminhoneiros.

Na comparação com março do ano passado, a queda foi de 3,8%, quinto resultado negativo seguido nessa comparação. Com o tombo de março, a produção industrial passou a acumular no ano uma retração de 1,7%.

Além disso, também tem início a reunião de política monetária do Copom, que será encerrada amanhã, com expectativa do consenso de mercado de corte de 0,5 ponto percentual, a 3,25% ao ano.

PEC do Orçamento de Guerra

A Câmara dos Deputados aprovou nesta segunda-feira (4), em primeiro turno, o substitutivo do Senado da Proposta de Emenda à Constituição 10/20, chamada PEC do Orçamento de Guerra. Os parlamentares rejeitaram os destaques ao texto-base e o segundo turno deve ocorrer nesta terça-feira (5).

A PEC cria um regime extraordinário fiscal, financeiro e de contratações para o enfrentamento pandemia do novo coronavírus no país e foi aprovada pela Câmara no início de abril. No entanto, após modificações do texto no Senado , a proposta retornou para nova análise dos deputados.

A medida flexibiliza travas fiscais e orçamentárias para dar mais agilidade à execução de despesas com pessoal, obras, serviços e compras do Poder Executivo e vai vigorar até o dia 31 de dezembro deste ano – mesmo prazo para o estado de calamidade pública causado pela pandemia.

Embora o Senado tenha incluído na PEC dispositivo que condicionava o recebimento de benefícios creditícios, financeiros e tributários ao compromisso das empresas de manterem empregos, o texto aprovado excluiu esse ponto. Segundo o site da Câmara, o texto aprovado ontem retirou da PEC a lista dos tipos de títulos que poderiam ser comprados pelo BC em termos de classificação de risco. Se a Câmara mantiver texto, PEC irá à promulgação; se texto for novamente alterado, terá de ser reenviado ao Senado.

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