Impasse na Previdência de Guedes derruba bolsas

Ibovespa desaba com Vale perdendo licença e preocupação com atraso na Previdência; Ibovespa fechou com forte queda de 3,74%, aos 94.636 pontos, em seu pior pregão desde 28 de maio de 2018; contrato futuro de dólar com vencimento em março subiu 0,87%, para R$ 3,705, ao passo que o dólar comercial fechou com valorização de 1,09%, cotado a R$ 3,7065 na venda

Impasse na Previdência de Guedes derruba bolsas
Impasse na Previdência de Guedes derruba bolsas (Foto: REUTERS/Paulo Whitaker)

Do Infomoney - Em queda durante todo o dia por conta de novos ruídos com a reforma da Previdência, o Ibovespa acelerou as perdas na reta final do pregão desta quarta-feira (6) após a notícia de que a Vale (VALE3 -4,88%) perdeu a sua autorização para operar a Barragem Laranjeiras, crucial para a produção da mina de Brucutu.

Com isso, o Ibovespa fechou com forte queda de 3,74%, aos 94.636 pontos, em seu pior pregão desde 28 de maio de 2018, quando desabou 4,49%. O volume financeiro ficou em R$ 17131 bilhões.

Enquanto isso, o contrato futuro de dólar com vencimento em março subiu 0,87%, para R$ 3,705, ao passo que o dólar comercial fechou com valorização de 1,09%, cotado a R$ 3,7065 na venda.

Além do cancelamento da operação em Laranjeiras, a Vale informou também que foi determinada a suspensão imediata da Mina de Jangada por conta de sua ligação com a licença da mina Córrego de Feijão. A mina em questão, porém, já estava paralisada em consequência da paralisação da operação da mina Córrego de Feijão.

Além disso, o TRF-1 (Tribunal Regional Federal da 1ª Região) negou um recurso da Vale, que pedia para retomar suas operações da mina e da usina de Onça Puma, no sul do Pará. Entre as medidas impostas pelo Tribunal estão a paralisação das atividades de exploração mineral até que a Vale cumpra obrigações socioambientais.

No noticiário político, mais cedo, informações de que o governo deve enviar uma nova PEC (proposta de emenda constitucional) para a reforma da Previdência, ou seja, não vai aproveitar o projeto do ex-presidente Michel Temer, piorou o ânimo dos investidores, que entendem nisso um atraso para a tramitação da proposta.

"O governo admite que a reforma deve ser mais abrangente que de Temer e Guedes espera R$ 1 trilhão de impacto em 15 anos, mas divergências entre ele e Bolsonaro sobre idade mínima devem tornar a proposta final mais branda que a minuta vazada", acrescenta a equipe de análise da XP Research.

Vale destacar ainda que a juíza federal Gabriela Hardt condenou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva a 12 anos e 11 meses por corrupção passiva e lavagem de dinheiro na ação penal que trata do sítio Santa Bárbara, em Atibaia (SP).

No cenário doméstico, destaque ainda para a decisão do Copom - que deve manter os juros básicos em 6,50% -, com atenção especial para os recados que o Banco Central poderá mandar em seu comunicado sobre o rumo da política monetária nos próximos meses.

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"Boa parte do mercado já trabalha com o cenário de manutenção dos juros ao longo e alguns grandes nomes do mercado já começam a enxergar possíveis cortes na Selic", observam os analistas da Rico em relatório enviado a clientes.

Em meio às expectativas, o contrato com vencimento em janeiro de 2021 subiu 2 pontos-base, para 7,02%, enquanto o contrato para janeiro de 2023 avançou 7 pontos, a 8,17%.

Nos Estados Unidos, o presidente Donald Trump insiste na construção de um muro na fronteira com o México. Vale lembrar que o assunto foi responsável pela maior paralisação da história do país neste início de ano e que o shutdown pode ser retomado em fevereiro se não houver acordo sobre o orçamento no Congresso, que não quer liberar dinheiro para o muro.

Destaques de ações

Além das notícias acima, a Vale declarou na noite de ontem força maior - instrumento invocado quando uma das partes não consegue cumprir um acordo por um evento imprevisto - em uma série de contratos de venda de minério de ferro e de pelotas.

O anúncio ocorreu após decisão judicial na véspera que determinou a paralisação de barragens em Minas Gerais, com impacto na produção da mina de Brucutu – a segunda maior mina da empresa. A empresa não informou o volume de contratos afetados pela força maior.

A Vale reiterou ainda que não existe fundamento técnico ou avaliação de risco que justifique a decisão de suspender a operação e está adotando as medidas judiciais cabíveis para retomar suas operações o mais rápido possível.

Na segunda-feira, a mineradora informou que o impacto estimado da paralisação temporária da barragem de Laranjeiras na mina de Brucutu (complexo de Minas Centrais) é de aproximadamente 30 milhões de toneladas de minério de ferro por ano.

O jornal O Globo informa que, após a tragédia em Brumadinho, o governo deve adiar a renovação antecipada do contrato de duas ferrovias administradas pela Vale. A intenção da equipe econômica é não "contaminar" o processo de renovação das concessões, que só vencem em 2027, com o desastre. A Vale opera hoje as ferrovias Estrada de Ferro Carajás e Estrada de Ferro Vitória-Minas, cujos contratos se encerram daqui oito anos.

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