Indústria brasileira tem 25º mês de contração

A contração da indústria do Brasil perdeu força em fevereiro diante de quedas mais brandas de novos pedidos e melhora da confiança, mas as condições operacionais do setor permanecem desafiadoras de acordo com o Índice de Gerentes de Compras (PMI, na sigla em inglês) divulgado nesta quinta-feira; o PMI subiu a 46,9 em fevereiro de 44,0 em janeiro, mas permanece em território de contração pelo 25º mês seguido

Paraná tem a terceira maior indústria de transformação do País. Indústria automobilística. Foto: Gilson Abreu/FIEP
Paraná tem a terceira maior indústria de transformação do País. Indústria automobilística. Foto: Gilson Abreu/FIEP (Foto: Gisele Federicce)

Por Camila Moreira

SÃO PAULO (Reuters) - A contração da indústria do Brasil perdeu força em fevereiro diante de quedas mais brandas de novos pedidos e melhora da confiança, mas as condições operacionais do setor permanecem desafiadoras de acordo com o Índice de Gerentes de Compras (PMI, na sigla em inglês) divulgado nesta quinta-feira.

O PMI da indústria brasileira subiu a 46,9 em fevereiro de 44,0 em janeiro, mas apesar da melhora permanece em território de contração pelo 25º mês seguido, destacando "uma deterioração adicional acentuada na saúde do setor", apontou o IHS Markit.

"À primeira vista, os dados do PMI de fevereiro permaneceram decepcionantes. Entretanto, as taxas de contração de produção, encomendas, exportações e emprego diminuíram desde janeiro", destacou a economista do IHS Markit Pollyanna De Lima.

"Em relação ao cenário, os dados ainda indicam momentos desafiadores à frente, com o IHS Markit prevendo que a economia do Brasil vai se estabilizar em 2017...e então retomar o crescimento em 2018", completou.

A demanda permaneceu fraca em fevereiro, mas a taxa de redução no volume de novos trabalhos recebidos atingiu o ponto mais lento desde novembro passado.

O volume de novos negócios provenientes do exterior também diminuiu, mas igualou o ritmo mais fraco na sequência atual de nove meses de desaceleração. O subsetor de bens de consumo foi o que registrou as perdas mais acentuadas.

Com isso o ritmo de queda da produção industrial também se moderou, atingindo o nível mais fraco desde novembro, tendo sido observado crescimento na categoria de bens de capital pela primeira vez em dois anos.

As dificuldades de caixa e necessidades mais baixas de produção continuaram afetando o mercado de trabalho em fevereiro, mas a taxa de perda de empregos, ainda que acentuada, atingiu o ponto mais fraco em mais de um ano.

Já os custos de insumos aumentaram com força em fevereiro diante dos preços mais altos dos metais, produtos químicos, têxteis, plásticos, papéis e combustíveis, fazendo com que os produtores elevassem os preços de venda mais uma vez. Assim, a inflação de preços cobrados atingiu recorde de oito meses.

Em relação às expectativas, o grau de otimismo melhorou diante das expectativas de recuperação econômica, com 73 por cento dos fabricantes prevendo aumento no volume de produção ao longo do próximo ano.

Assim, o nível de otimismo foi em fevereiro o mais alto registrado nos quase cinco anos de série histórica.

A indústria brasileira fechou 2016 com queda de 6,6 por cento na produção, terceiro ano seguido de perdas diante da fraqueza nos investimentos e da demanda interna frente à recessão no país.

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