Mantega contesta críticas de Miriam Leitão

Colunista abriu espaço para respostas do ministro sobre temas como estouro da meta de inflação, expansão dos gastos públicos e baixo desempenho do PIB; "a crítica na coluna é feita como se não estivéssemos vivendo a maior crise de todos os tempos", afirma o ministro

Mantega contesta críticas de Miriam Leitão
Mantega contesta críticas de Miriam Leitão

247 - Em sua coluna no Globo, a jornalista Miriam Leitão abriu espaço para que o ministro Guido Mantega respondesse algumas críticas que têm sido feitas por ela sobre diversos temas da gestão na economia. Leia abaixo:

Respostas de Mantega - MÍRIAM LEITÃO

 
O ministro Guido Mantega define como "excepcional" a política de empréstimos ao BNDES. "Como resultado, tivemos um aumento de pequena monta na dívida pública bruta, de 3 pontos percentuais. Sem isso, o país teria tido recessão de 6%, como outros países. É a política acertada." Mantega não detalhou os cortes nos gastos, mas disse que os anunciará em breve.

A inflação estourou o teto da meta pela décima vez em 30 meses de governo Dilma, chegando a 6,7%, em junho, mas o ministro disse que ela está sob controle, que a "trajetória é positiva" e deu destaque ao que o indicador trouxe de bom:

- A inflação de junho foi menor do que em maio, caiu a inflação de alimentos e bebidas.

O ministro nega que o PIB este ano esteja murchando, mas falou que o país deve crescer entre 2,5% e 3%. Antes, falava em 4% e até 5%. Na visão dele, o Brasil está sendo vítima da política monetária americana:

- O Fed criou uma turbulência internacional que afetou bolsas e o câmbio.

Lembrei que ele criticava a política expansionista americana, que teria criado um "tsunami" monetário, uma guerra cambial. E que, agora, os EUA estão dando os primeiros sinais de que podem diminuir esses estímulos. Ele, de novo, critica:

- De fato, fomos atingidos pelas duas coisas, uma forte liquidez internacional, que fez com que o Brasil fosse um dos alvos da entrada excessiva de dólares; e agora esse movimento que causa turbulência e derruba bolsa e eleva o dólar. O câmbio vai ajudar o exportador mais adiante, mas este momento de volatilidade não é bom e vai causar pressão inflacionária dependendo do tempo que fique.

Afirmou que sempre houve empréstimos do Tesouro ao BNDES e que o volume ficará menor daqui para frente. Em 2007, o total de empréstimo era R$ 6,6 bi. Agora, é R$ 378 bi. Os dividendos pagos ao Tesouro saíram de 900 milhões para R$ 13 bi. Isso é visto por nove em cada dez analistas como truque que tem inflado receitas. O ministro discorda.

- Aumentaram os dividendos pagos pelo BNDES porque aumentou o lucro, que no passado era de R$ 1 bilhão e agora é de R$ 10 bilhões. Todos os bancos públicos estão dando muito lucro - disse o ministro.

O lucro, na verdade, em 2012, foi de R$ 8,2 bi. Menor, portanto, que o dividendo pago. Todos têm tido empréstimos ou capitalizações pelo governo, o que contradiz, na prática, essa interpretação. Se os lucros são maiores, não deveriam precisar de mais capitalizações ou empréstimos.

Mantega discordou da coluna de ontem, que trouxe a visão da S&P, com criticas à política econômica, e afirmou que "essa agência elevou o nosso rating em 2011".

- A crítica na coluna é feita como se não estivéssemos vivendo a maior crise de todos os tempos, como se não houvesse problemas como este que o Fed criou este ano, não leva em consideração que a China desacelera. Bom, com tudo isso nós crescemos mais no primeiro trimestre do que EUA, México, Colômbia, Chile.

As comparações de crescimento têm outro lado. Enquanto o Brasil cresceu 1,2% nos 12 meses até março, o Chile cresceu 5,3%, a Colômbia, 3,3%, o México, 2,9%, os EUA, 2%. Apenas no primeiro tri, isoladamente, fomos melhores, mas não muito: 0,6%, contra 0,5% do Chile e do México, 0,4% dos EUA e 0,3% da Colômbia. Mantega acha injustas as críticas à deterioração fiscal.

- As três grandes despesas, Previdência, pessoal e juros, têm caído. O que sobe é gasto de custeio, com educação e saúde, mas isso precisa subir mesmo. E o déficit nominal tem caído. Em outros tempos chegou a 6%, agora é 2,5% do PIB. Temos agora fundamentos mais sólidos e reservas cambiais maiores.

Segundo Mantega, as despesas caíram durante o seu período no governo. Este ano, no entanto, as despesas estão subindo mais que as receitas e os investimentos públicos estão em retração.

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